sábado, 20 de outubro de 2012

PunKtoberfest 2012- 19/outubro- Hangar 110 - São Paulo


   Hangar 110 aparentemente vazio em uma sexta à noite para a punktoberfest 2012. Qual seria o motivo?        Segundo alguns, o último capítulo da novela e a revelação bombástica de quem matou Karl Marx. Nem precisa ver a novela pra saber que foi  o sistema capitalista.



   O Danilovers abriu a noite fazendo um som que me lembrou um pouco Green Day com um visu Toy Dolls, ou algo assim. Deu pra perceber letras irônicas, engraçadas e tal.



   Na sequência o Sanitarium lançou um hardcore sem firula, com boa pegada, presença e cover de ratos de porão (AIDS, pop, repressão), como um dos pontos altos da apresentação dos guris.



   Foi então que o Deserdados adentrou depois de alguma espera no clássico palco da casa mais emblemática do punk contemporâneo! No fim dos anos 90, começo de 2000, tive o privilégio de dividir o palco com eles, pode parecer bobeira e romântico, mas foi demais tocar com os caras que conheci por meio da coletânea SP Punk com “não quero mais” e “punk até a morte”. Ontem assim que soaram os primeiros acordes do “rock de combate” (termo que cai perfeitamente de acordo com a proposta de som da banda) me veio a mente toda uma época e a alegria de ver que os caras tão cada vez melhores naquilo que fazem: punk! Celo, Lambão e Favela levantaram o público que a esta altura já estava em maior número, com clássicos como “mau exemplo”, e tantos outros. Show foda, banda foda, vibe foda!

   Encerrando a noite, o lendário Inocentes, com Clemente e sua trupe, soando mais pesado do que eu me lembrava! Este show alimentou ainda mais minha ansiedade pelo próximo lançamento dos caras. Não pude ver o show todo, mas sai fora logo após o hino punk “desequilíbrio”, e ao menos na minha concepção, senti que os caras tão ai ate hoje porque nutrem paixão por aquilo que fazem. O festival Punktoberfest continua hoje com as bandas Lomba Raivosa, Merda, Leptospirose e Cólera, mas infelizmente não poderei comparecer!
Quem puder, se jogue!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Entrevista com Nenê Altro do Dance of Days e Teenager in a box

Desde que comecei a fazer fanzines lá pelos idos dos anos 90, sempre tive vontade de entrevistar e trocar uma ideia para publicar em zines com duas pessoas. Uma foi o Redson do Cólera, até tentei por carta na época, mas acho que sequer chegou até ele.A Outra  é o Nenê. Segue na íntegra histórias curiosas como a treta da turnê gringa do Sick terror, o futuro do Dance of Days e curiosidades que só quem está há tanto tempo na estrada e tem bagagem do que é a essência do faça você mesmo pode compartilhar.


Dance of Days, época de "a história não tem fim"


1 – O Dance of Days sempre foi  uma banda que falou de visões pessoais e políticas, mas, ainda assim, muita gente teve e tem preconceito com o trabalho de vocês. Ao que você acha que isso se deve?
Nenê Altro –Em 2001 lançamos um disco em português, nadando contra toda a corrente de 90% das bandas de nossa geração. O disco abria com uma música contra homofobia chamada Se Essas Paredes Falassem e vendeu 18.000 cópias defendendo “um outro lugar onde marte ama marte e vênus possa passear de mãos dadas com vênus”. Esse foi um choque numa cena que, por mais que se afirmasse “moderna” ainda tinha muito de moralista e, principalmente, homofóbica. E nós abraçamos essa luta colocando a cara pra bater, de que a pessoa não tem que ser homossexual pra ser contra a homofobia, que pode ser branca e ser contra o racismo, que a luta contra o preconceito era e é uma luta de todos. E pensamos isso até hoje. Mas isso, na época, gerou o estigma entre a galera que se sentiu ofendida com essa postura. Mas enfrentamos. Sempre enfrentamos. Só com o “História” foram 18.000 cópias não só contra homofobia, mas falando de ateísmo (Vinde a Mim), contra a luta partidária (Corvos do Paraíso), contra a opressão do sistema de trabalho (Carro Bomba) e celebrando a vida, o amor e os bons sentimentos humanos.  A verdade é que o pessoal aqui sempre foi muito cabeça fechada, tanto que dezenas de bandas de rock ogro continuam a fazer a cabeça da molecada e a galera “acha o maior barato”. O povo daqui também não entendeu a “fase The Damned” da banda em 2005, com o Lírios Aos Anjos, acho que tudo isso gerou essa coisa toda idiota do preconceito com a banda.




2 - Você acha que as coisas mudaram desde essa época do “História” até hoje, nesse sentido?


Nenê Altro – Às vezes acho que está melhor, às vezes acho que pior... está uma fase bem estranha. Em 2001 o link com o punk, com a essência da coisa toda, era muito forte... A galera fazia música pra se expressar, independente do estilo, independente de sua música ser influenciada por Conflict ou por Mineral, o importante era por pra fora as coisas que gritavam no peito. Hoje tem isso ainda, mas acho que tem dois fatores bem perigosos, um que, por um lado, muita gente que está no meio não faz nem ideia de como a coisa começou, não quer nada além de sucesso a qualquer custo e essas coisas, e o outro que existe uma tolerância com a burrice e a ignorância que deixa cada vez mais atitudes preconceituosas, homofóbicas, nacionalistas e religiosas passarem batido, pois “agora as coisas são assim”. Não gosto disso, não foi com isso que me envolvi e luto para mostrar que a gente não faz parte dessa merda aí, que temos sim posturas claras e que fazemos parte do punk, da cultura combatente que nos levou a montar uma banda, antes mesmo de estarmos juntos no Dance of Days.


3 - Você citou essa “fase The Damned” de 2005, do Lírios Aos Anjos. Porque você acha que ela foi tão mal compreendida?

Nenê Altro – Nessa mesma época o “emo” estava estourando por aqui, não a coisa que acompanhamos no início do Dance of Days em 1996 com o Revolution Summer de Washington dos anos 80 e muito menos a cena que veio na nossa época com a JadeTree, a Initial, a Doghouse, mas a das bandas estereotipadas de franja que infestaram as rádios brasileiras em 2004-2005, dessa cena do olho pintado, do Good Charlotte e essa parada toda aí que se convencionou chamar de “emocore” por aqui.E por mais que eu usasse só as camisetas das bandas góticas que eu mais amava desde a adolescência (é só olhar o encarte do Valsa!), do Bauhaus, do Neubauten, do Sisters,  ou todas as camisetas do The Cult que eu tinha no armário, se as pessoas não tinham o link com o punk, imagine com o pós punk! Elas sequer sabiam quem era Ian Astbury!E a geração mais velha, que sabia, não se misturava com essa nova. Então acabaram achando que era tudo a mesma coisa. Chegou uma hora que cansamos de explicar e mandamos todos à merda. Sempre soubemos o que fazíamos e até hoje sabemos o que somos, isso é o que mais importa.


4 - Nenê, lembro do seu projeto Awkward. Fui num show que era na Rua Pamplona, junto com Dominatrix, Paura e outras bandas. Não sabia quem era você, mal tinha ouvido falar de Personal Choice , porém lembro de todos falando “é a banda nova do Nenê Altro”. Devia ser 1997, 98... Não sei ao certo... Aquele show me marcou, porque via que vocês erravam quase todas as músicas, e eu achava aquilo incrível! Você lembra desse dia? O que o Awkward significou pra você e o que ficou de legado da banda?
Nenê Altro –Lembro sim, foi em 31 de Janeiro de 1999. Acho que foi nosso primeiro show, com Dominatrix, Paura, Sight For Sore Eyes e Extremo. Na verdade não era que errávamos tudo, era que estávamos bem indecisos quanto a sequência das músicas e nervosos por ser o primeiro show rsrsrs Enfim, se você pegar as músicas ao vivo que estão no fim daquele cd 1997/1998 do Dance of Days, você consegue entender a praia que eu estava quando o Dance deu aquele break e eu formei o Awkward com essa galera. Gostávamos de Elliot, Texas Is The Reason, Mineral... Foi uma banda muito boa, e era um momento muito mágico na cena hardcore, onde todo mundo estava descobrindo novas bandas e cenas. Muita gente que estava nesse show da Pamplona formou bandas depois, como Out of Season e Anyone. Bandas que foram muito boas e presentes na época... Estou tentando forçar a cabeça aqui, mas acho que a história foi a seguinte, com o break do Dance of Days eu formei o Bastard In Love, com a galera que era do Default e do Pudding Lane. Quando o Bastard In Love acabou, eu montei o Awkward com o guitarra do Bastard In Love e a galera que vinha do Landscape, Extremo e Supermarket e o restante do Bastard In Love montou o Hurtmold, que está aí até hoje. O Bastard In Love chegou a gravar bastante coisa, tínhamos uma demo, duas músicas na coletânea “Something. Nothing. Everything.” (inclusive uma chamada Crutch que alguns anos depois virou “Muletas” no Sick Terror), uma faixa no Tributo Ao Olho Seco lançado aqui em cd pela Red Star e lá fora em LP pela HöhNIE Records e um split ep em vinil lançado nos EUA pela Moo Cow Records, com a banda Cameran.


 Do Awkward, infelizmente, só ficou registrada a música Candle Light Tears (que falava sobre os desaparecidos políticos da ditadura) na coletânea “The FireBeneath The Machine”, que eu lancei pela Teenager In a Box, que também tinha At The Drive-In, Silver Scooter, SevenStorey Mountain e uma porção de bandas que faziam parte da mesma cena e que se correspondiam na época via carta. Com o fim do Awkward eu formei o Sick Terror e, logo na sequência, voltei com o Dance of Days, já com o embrião da formação que está até hoje. No Sick Terror fiquei até 2004, em paralelo com o Dance. É mais ou menos isso aí rsrsrs
(obs: o show que citei, que eu estava presente, está disponível no youtube, incrível rever isso!!!!)




5 - Ainda falando de suas outras bandas, vi também o Nenê Altro & O Mal de Caim pouco antes da banda acabar, no projeto Rock na Vitrine, lá na Galeria Olido, idealizado pelo Luiz Calanca da seminal loja Baratos e Afins. Aquele foi o último show? Há intenção de voltar com a banda ou você nem pensa nisso?
Nenê Altro –Acho que teve mais um show depois disso, na Livraria Da Esquina... Bom, o Mal foi uma banda que gostei muito do início ao fim, que tocou muito, que lançou um cd bem legal de death rock (EuremaElathea), e que ia lançar um dos cds que mais fazem falta em minha discografia pessoal, pois representava musicalmente todo fim do ciclo de vida que detalhei em meu segundo livro, “O Diabo Sempre Vem Pra Mais Um Drink”, que, aliás, seria também o nome do disco do Mal (a ideia era lançar na mesma época). 



 A Pisces ainda pensa em lançar esse cd, o que eu ia achar bem legal pra não ficar com essa lacuna na minha carreira, mas voltar com a banda não rola, pois as coisas dizem o que tem que dizer na época que gritam em seu peito, e não faz mais sentido pra mim cantar tanta tristeza. Os caras seguiram com suas bandas e eu segui com as minhas, cada um com suas histórias e conquistas. Poderia ter sido uma história bem maior, mas o momento se perdeu... 



6–Você citou o Sick Terror, não poderia deixar de perguntar, conte como foi essa experiência de “cadeia na Finlândia” em tour com a banda rsrsrs


Nenê Altro –Há exatos 10 anos atrás,em 2002, eu e o Marcelo Verardi estávamos em tour pela Finlândia com nossa antiga banda, o Sick Terror, fazendo alguns shows com o RIISTETYT. Estávamos em um grande mercado e o Verardi não falava uma palavra sequer de inglês. Lá, nessa época, já tinha muito essa cultura que hoje é comum aqui, de cards gratuitos de papel por todos os lugares, com datas de show, lançamentos de discos e etc. Mas na época, pra gente, era bem novidade. E o Marcelo acabou pegando uns postais dentro desse hipermercado achando que também eram “free”. Em menos de 2 minutos eu escuto ele chamar em português e vejo ele ser arrastado por dois brutamontes. É claro que, diferente do resto da galera que saiu rapidamente do mercado e passou a noite bebendo na discoteca, eu não ia deixar meu amigo pra trás. Cheguei lá dizendo que ia traduzir ele pra ajudar e ficamos numa sala com um guarda cheio de tattoos nazis que toda vez que estava sozinho com a gente falava um monte de merda contra latinos. Assim que a delegada chegou, dissemos que estávamos lá apenas para fazer alguns shows. Ela pediu o nome de um responsável e dissemos o nome do saudoso Nappi do Riistetyt e ela respondeu “- Isso não é nome de gente, é de cachorro!” rsrsrs No final ela conseguiu falar com alguém do clube onde iríamos tocar para verificar a história, mas estava tarde demais pra liberar a gente, pois o oficial já havia ido embora para casa. Eu fui me despedir do Marcelo dizendo que ia ficar na delegacia esperando por ele até ele ser solto e a delegada me disse “- Espere um momento, quanto dinheiro você tem no bolso?”. Eu, punk, sem tomar banho há alguns dias e em tour pela europa, achei que estava cheio da grana e disse, “- Ah, tenho bastante até, uns 50 euros”hahahaha E ela disse, “-Você não tem dinheiro suficiente para ficar na Finlândia” e mandou os guardas removerem a mim e ao Marcelo. Passamos a noite numa cadeia, em celas separadas, sem ninguém falar uma palavra em inglês com a gente e sendo acordados de meia em meia hora. Logo pela manhã o Perttu do Riistetyt apareceu bêbado pra buscar a gente e disse que chamaram o oficial pelo auto-falante que havia um “jovem cheirando a Búfalo” que queria soltar os brasileiros. Assinamos os papéis e fomos fichados, o Marcelo como ladrão e eu como indigente. No final da tour o camburão da polícia foi nos buscar no local combinado e nos levou para Helsinki pra garantir mesmo que iríamos entrar no avião rsrsrs É legal mencionar que nessa tour o RIISTETERROR (banda que era metade Sick Terror metade Riistetyt) se reuniu pela última vez em Tampere para gravar o ep ASEMA Z  e que originalmente esse epse chamaria POSTIKORTTI HARDCORE, ou seja “cartão postal hardcore” devido ao incidente do mercado hahaha. Nesse epque gravamos contamos com a participação do lendário Jakke, vocalista do KAAOS, cantando na música Sota OnTulossa (cover do próprio Kaaos), que acabou sendo seu último registro em vida.


7 – E quanto ao Dance of Days? Agora com a saída do Tyello da banda, como as coisas vão ficar? Quais os próximos passos?

Nenê Altro – O Tyello fez e sempre fará parte da história da banda, pois esteve 12 anos no Dance of Days. E a saída foi uma opção dele, que já estava cansado das coisas da estrada e quis se dedicar mais a seu estúdio. Respeitamos seu desejo e continuamos amigos. Decidimos continuar em 4 pessoas, seguindo a linha que sempre seguimos, de bandas como Avail, Ramones, 7 Seconds, Descendents, que sempre foram baixo, guitarra, bateria e vocal, e estamos felizes com isso. Os shows tem sido bons, fortes, e acho que essa atitude de mantermos a banda como está teve mais a ver com nossa história e proposta do que colocar um elemento a mais que, acima de se entrosar com a música teria que ter um entrosamento pessoal “do nada” com a gente que jamais conseguiria ter, pois nossa amizade ultrapassa uma década. E os fãs da banda curtiram muito isso, termos ficado só nós quatro. Agora vamos preparar um disco novo, sem pressa, mas com a ideia de sair no primeiro semestre de 2013. E vamos ficar na estrada, cada vez mais, pois não vivemos sem isso.

8 - Pela sua trajetória de vida no meio punk-underground, dá pra perceber nitidamente que você é um profundo incentivador da cultura de fanzines, não só incentivador, como também faz palestras sobre o tema e edita o Pest Zine com 5000 cópias distribuídas gratuitamente, o que contraria a ideia daqueles que diziam que com a massificação da internet os zines impressos morreriam... Porque, nos dias de hoje, em épocas de facebook e twitter, você ainda defende essa bandeira?

Nenê Altro –Eu parto do princípio que cada zine é uma obra de arte, uma forma autêntica de expressão.  É muito diferente uma pessoa escrever um bom artigo em um blog ou um post bem elaborado em uma rede social do ato de ela parar, colocar tudo de si em uma folha de papel, recortar, colar, montar sua expressão com as próprias mãos, com a sua personalidade, xerocar e passar adiante. Um zine chega em suas mãos como uma boa música, como um bom filme. Eu não sou contra a internet e os blogs, como muitos erroneamente me interpretaram, só acho que uma coisa é ser e ter um instrumento de comunicação ágil e rápido e outra é fazer arte. E essa arte pode ser pessoal, política, poética... E, o mais importante, não tem censura.  O que eu sou contra é as pessoas falarem que o zine evoluiu para a internet e que é coisa “ultrapassada”, “dos anos 80 e 90”, que “agora não tem sentido”. Sou contra essa postura, pois zine para mim é e sempre será uma expressão artística e dizer algo assim seria o mesmo que dizer que “pintar quadros não faz sentido” agora que temos a fotografia digital e o Photoshop. Sou um amante das artes como forma de expressão, pois nelas eu vejo o humano do ser que caminha sobre esse planeta. E se eu não acreditasse na força viva que traz brilho aos olhos desse ser humano, toda minha luta por liberdade social não faria sentido algum.

9 - Falando em zines, me remeteu aos seus livros. De todos os livros que já li, seja de literatura dita “marginal” até medalhões da literatura mundial, eu realmente nunca consegui sentir tanta carga emotiva, confessional e pessoal em outros livros como senti nos seus escritos. Pra você, escrever, seja em livros ou letras para suas bandas, é uma espécie de “exorcismo”, de “por pra fora tudo o que grita no peito” ?

Nenê Altro –Sim, eu sempre digo que faço música e escrevo por necessidade biológica, porque meu corpo grita por isso. Acho que deve ser muito frustrante alguém escrever para “ser escritor”, tentar deixar palavras numa ordem “bonita” para “ser poeta” ou seguir um caminho determinado para “ser músico”. Eu não sou escritor, não sou poeta e muito menos músico. Minha profissão é de agitador cultural e organizador de eventos. Se um dia eu transformasse minha arte numa fórmula eu perderia a sensação libertadora que ela me traz, que é o que me mantém vivo e me permite respirar. Essa fase ruim que eu passei em minha vida... eu teria enlouquecido se não tivesse colocado pra fora nos Funerais do Coelho Branco, no Eurema Elathea, no 43 Segundos, no Lírios Aos Anjos. A música, a poesia, os desabafos, sempre foram minhas válvulas de escape. E não me interpretem mal, eu não sou contra escritores, poetas e músicos, apenas não sou nada disso. Sou só um garoto imbecil a se repetir rsrsrs

10 - Recentemente o CRASS mudou muito sua postura e chegou inclusive a remover as suas músicas de sites de download gratuito. Como você viu isso, sendo que é tão fã da banda?
Nenê Altro – Minha história com o CRASS data do final dos anos 80, época em que me envolvi com o anarco-punk.  20 anos depois, em 2009, resolvi fazer a tattoo da banda no antebraço, pois, independente do que os membros se tornaram hoje ou do rumo que seguiram em suas vidas individuais, a atividade que tiveram nos anos gloriosos da banda foi uma influência fundamental em minha vida. Não me arrependo, faria a tattoo novamente, pra mim o CRASS fugiu ao controle do que os membros possam fazer ou deixar de fazer após o final da banda, sua história é propriedade da própria história do punk e é a isso que me marquei. Não concordo, é claro, com essas coisas que aconteceram recentemente, mas, desde a entrevista que saiu na Vice deu pra ver que a coisa já caminhava para esse lado. O que fica foi o que marcou na vida de cada pessoa influenciada por seu trabalho original, os bons discos, as boas atitudes e tudo o que foi irreversivelmente construído na vida das pessoas que tiveram contato com essa essência. Acho que esse é o verdadeiro papel de fã mesmo de um trabalho como esse, gostar da banda pelo que ela te oferece e não esperar que seja mais do que é.

11 - E por falar em fãs, sua vida pessoal sempre foi exposta, aberta, e vi nos últimos anos pela net que muita gente te criticou por mudar essa postura, por querer ter uma vida mais reservada, e disseram que isso não deveria mudar suas atitudes “como músico”. O que pensa disso?

Nenê Altro –Quem acha que minha vida pessoal não vai mudar minhas atitudes no Dance of Days jamais entendeu a proposta da banda. Não somos uma banda profissional. Somos amigos querendo se divertir e eu, desde o começo, uso a banda como forma PESSOAL de expressão. As pessoas dão mancada comigo, falam mal das minhas coisas por aí, me xingam em comunidades e esperam que eu tenha “atitudes profissionais como músico” com elas. Estas realmente nunca entenderam ou sequer fizeram parte de tudo isso que essa conexão significa. Nunca fomos profissionais, nunca seremos profissionais, somos vivos e somos gente, carne, osso e sentimentos, e tudo o que somos é o que move a nossa arte.


12 - Acho que você já deixou claro sua posição quanto a opiniões várias vezes, não só nas músicas quanto nos livros rsrsrs

Nenê Altro –Exato. Se eu fosse mover meus dias de acordo com as opiniões das outras pessoas eu estava fodido! Ninguém JAMAIS está satisfeito com nada e, quando as pessoas te julgam por algo pode ter certeza que tem razões 100% pessoais para isso, ou seja, que te apontam o dedo movidos por suas próprias dificuldades em lidar com mudanças, por suas expectativas auto-sugeridas e etc. Eu vivo minha vida com sede, com sede de vida e essa sede só pode ser sanada por minha boca, não pela dos outros. Não sou artista, sou só alguém como todo mundo, que “gosta de falar e abraçar os amigos”, só tenho uma banda e, da mesma maneira que as pessoas gostam de minha banda eu gosto do 7 Secondsdesde moleque e nem por isso me importo com a vida pessoal do Kevin, só com a sensação boa e única que ouvir uma banda que fala com meu coração, um “walktogether rock together” bem alto, me traz.

13 - As pessoas sempre vão falar né?

Nenê Altro – Sim, e perdendo tempo falando elas deixam de viver.

14 - Pra ir encerrando, sobre a Teenager in a Box, as bandas e coletâneas que você lançou, do início até hoje, de At The Drive-in a No Class e Deserdados, deve dar uma puta satisfação olhar pra trás e ver tudo o que você já construiu com esse projeto, né? O que podemos esperar para o futuro? Novos lançamentos?

Nenê Altro –Sim, a Teenager In a Box sempre foi a menina de meus olhos, minha Dischord particular. Ficou parada um tempo porque, se for pensar bem, eu também fiquei parado um tempo, por mais que lançasse um ou outro disco com minhas bandas nesse período...  Quando a Nicolle entrou em minha vida e batalhou a meu lado dia após dia por minha recuperação, nas longas caminhadas que tínhamos pela praia eu sempre falava pra ela da Teenager, das coisas legais que tinha feito e que queria voltar a fazer. Sabe, o “WantSomething” do No Class, foi um cd todo artesanal, a capa foi uma obra de arte do Tomas Spicolli que fizemos virar envelopinho, com todo cuidado, o encarte é um zininho, é uma obra de arte saca? E eu falava pra ela que queria fazer isso, queria dar voz a mais um Ludovic e abrir caminhos pra mais um Jair Naves. E isso foi fundamental em meu retorno, tanto que voltamos com o selo como uma “empresa familiar” rsrsrs A Nicolle é tão ativa hoje quanto eu e fazemos muitas coisas pelo selo, muitos planos, celebramos conquistas... A Teenager está licenciando para a Pisces a discografia inteira do Dance of Days que está saindo aos poucos, vamos lançar mais um livro, com várias passagens de entrevistas que dei desde 1997, que a Nicolle está separando por assunto e época... Inclusive essa resposta aqui deve ir pra parte em que falo da Teenager rsrsrs

15 - Jogo rápido:

AMIZADE - Amigos são os que estão ao seu lado e te apoiam, que te aceitam como você é, independente de suas escolhas pessoais.Os que não vêmsó pra prestar solidariedade quando você está na merda mas que comemoram suas conquistas dia após dia.

ESTANTE DE LIVROS – Anarquismo, poesia, rock, mitologia.

PERFORMANCE DE PALCO – Vai da época, vai da fase, como eu disse, minha arte é pessoal e não posso me demonstrar feliz estando triste ou fazer pose de deprimido quando estou adorando a minha vida. O jeito que sou no palco reflete o que sou em meu dia a dia.

ESTRADA – Vida. Gravar é bom, mas rock se faz ao vivo.

CINEMA – Político, punk, alemão.

CRÍTICAS – Não existem críticas construtivas, apenas gente ruim buscando momentos para expressar sua maldade. Se um trabalho ou obra artística não te agrada faça o seu, pois há lugar no mundo para todos. Perder tanto tempo assim preocupado em falar sobre o trabalho dos outros é atestado de incapacidade de fazer algo melhor.

FAMÍLIA – Todos aqueles que te fazem bem e que você tem prazer em manter por perto. E estes nem sempre são os seus parentes.

FILHOS – Orientar, escutar, conversar, defender, mas, acima de tudo, deixar viver.

CAFÉ – Bebo muito. Todos os dias. E meus amigos também rsrsrs

16- Obrigado Nenê pela atenção e por sempre apoiar o fanzine Meus Amigos bebem Muito Café! Conte conosco e apareça pra um café! =)
Nenê Altro –Eu que agradeço Luis! Para quem quiser saber mais dos projetos da Teenager In a Box é só acessar o blog teenagerinabox.wordpress.com e para acompanhar a agenda do Dance of Days é só acessar www.danceofdays.com.br  ok? Força sempre!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Literatura + Folclore + Batuque: " A umbigada do Mestre Aggêo"

O que mais me chama a atenção em uma obra é perceber a sensibilidade com a qual ela foi criada. No caso do livro "A umbigada do Mestre Aggêo", escrito por Edgard Santo Moretti, além da sensibilidade que ele imprime na descrição de como teve contato com esta cultura chamada "umbigada"( uma dança folclórica oriunda dos escravos africanos) e com um dos protagonistas dela, o Mestre Aggêo entre outros, o respeito e a paixão pelas histórias de vidas que se entrelaçam em torno da pesquisa feita por ele prendem o leitor do início ao fim!
Uma narrativa que mescla relatos pessoais, história e emoção, que no final resulta num trabalho louvável!
O autor presta de certa forma, uma homenagem singela ao povo, que em sua humildade, na acepção mais nobre do termo, almeja preservar seus costumes, raízes e identidade.Termos estes cada vez mais escassos da sociedade contemporânea tecnicista mas que encontram vida e reflexo em atitudes como a deste projeto realizado pelo escritor, artista plástico e professor junto com a Secretaria de Cultura e Turismo de Barueri.

O processo descritivo do livro e de como o autor corre atrás de informações relativas a umbigada em Barueri é cativante. Por muitas vezes o interlocutor não apenas dialoga com as cenas descritas, mas de certa forma, parece fazer parte delas.
Um tom poético permeia toda a leitura, este é o grande diferencial do livro e que o torna ainda mais próximo de quem tiver a sorte de lê-lo!
Um híbrido de livro-documentário que demonstra uma busca genuína pela valorização do que de fato, possui real valor, trazendo à lembrança personagens ditos "anônimos", mas que possuem tamanha grandeza que jamais devem ser esquecidos!

Por : Luís Perossi

ps: obrigado Carol por me possibilitar a leitura deste trabalho!

domingo, 12 de agosto de 2012

Joan of Arc + Againe 10/08/2012 Sesc Belenzinho

jão e seu arco, sossegado, na moral
Tipo, mais pra constar. Há coisas que dispensam palavras. Againe de volta , dizer  o que?
Tim Kinsella , o mentor  do Cap N' Jazz ali, a frente do Joan Of  Arc, num puta show viajante...
Duas fotos, uma tremida do celular, e outra  lá do fundo, pra constar. E já escrevi demais.
againe abrindo pro joan of arc. celular treme na base.

sábado, 23 de junho de 2012

ENTREVISTA: EDUARDO DEFEBO

Músico, escritor, professor, ou como costumamos dize na "quebrada", "mil fita".Este é o Edu, figura interessante da cena underground , com  o qual troquei um proceder, saquem aí!


De início, porque escolheu este nome “poesia HARDCORE” como título do seu livro, Eduardo? Aproveitando o contexto, qual a sua concepção de Hardcore?
O título nos remete a algo “na veia”, compromissado com tudo que nos faz viver: sexo, drogas , Rock´n´Roll, filhos, relacionamentos, enfim ... a porra da vida toda. A minha concepção de Hardcore é algo que tem pegada, “baguio” Punk.
Na contra capa do livro, você tece uma descrição sobre as formas de se compor poesia, fazendo uma analogia com poetas e suas maneiras de escrever. Você cita de Beatles até Fernando Pessoa. Qual a importância destes dois nomes na sua vida e eles exercem algum estímulo ou influência na sua escrita?
Quando fiz Letras, fiz, pois queria estudar Fernando Pessoa. Ele só não é maior que o Bardo Inglês porque escrevia em português. Já os Beatles, inegavelmente, foram os norteadores das melodias modernas. Como também sou músico amador, eles sempre estiveram presentes em minha formação musical.
Nota-se um tom bastante confessional em seus poemas. Ao seu ver, existe uma linha tênue que separa “eu lírico” do autor, ambos se confundem, ou é apenas um “xaveco” que aprendemos na faculdade e em manuais de teoria literária?
Você está presente em tudo o que você escreve. Não há como separar. No entanto, e aí é que tá a loucura da coisa toda, Você pode inventar. Há autores que pessoalmente são um pé no saco. Mas sua obra!
Nota-se referências ao Rock em seus textos. Seja no “HARDCORE” do título ou em sentenças como “Elvis is dead” ou até mesmo “E que tudo mais vá pro inferno” que também demonstram esta ligação.  Fale sobre estas e outras referências “rockeiras” em sua obra.
Realmente tenho essa influência. Percebo que o fã de rock, blues, sambas antigos, ou seja, de tudo que tenha conteúdo, é mais crítico, exige mais daquilo que lê. É natural fazer essa transposição para o texto literário. Torquato Neto e Paulo Leminski já faziam isso.
Me identifiquei em vários aspectos com seus textos e até com semelhanças como o fato de pertencer ao magistério e estar inserido em bandas do meio underground. Fale sobre estas suas outras facetas (professor e músico).
Isso me ajudou muito quando ingressei no magistério. Estou no palco desde os 17 anos. Quando a profissão de professor surgiu, aos 25, eu já era craque em entreter as pessoas. Pois é isso que um professor faz em um primeiro momento: seduzir. Você tem que convencer a pessoa de que aquilo é o que liga. Mas pra isso, tem que acreditar também.
Ao me formar, fui pra sala de aula encantado com as propostas de Paulo Freire, Dermeval Saviani, entre outros. Sofri um imenso choque, talvez por ainda possuir certa ingenuidade e sonhos, e me senti de fato, numa guerra onde os exércitos eram bem definidos, de um lado os reacionários que perpetuam e procuram defender o sistema de todos os modos, de outro os progressistas, minoria e sem perspectivas. Você como professor, escritor, músico e cabeça pensante, como enxerga a educação, o ensino público em nosso país?
Maluco, infelizmente o ensino público parou no tempo. Fiquei lá 15 anos e nada mudou. Muitos Professores são heróis, pois trabalham sem as mínimas condições. Um fator que ajudaria a mudar como os alunos encaram o ensino seria As FAMÍLIAS TOMAREM VERGONHA NA CARA E ACOMPANHAR O ESTUDO DOS FILHOS. Escola Pública hoje é depósito de crianças.
Voltando ao seu livro, aspectos como data e hora, e principalmente localidade de onde foram compostas suas linhas ali traçadas, me chamaram a atenção. Percebe-se que você passou por muitas daquelas situações na zona leste de São Paulo. Que lembranças você tem destes lugares?
Nasci na Vila Formosa, e passei a adolescência na Mooca. Depois morei em Itaquera, A.E. Carvalho , São Mateus , Brás e estou na Mooca novamente. Iniciei minha carreira como Professor em São Mateus, Fazenda da Juta, Parque São Rafael, lugares Hardcore. Onde o couro come. O povo é muito maltratado nesses lugares. Até as vezes pelos próprios moradores do bairro. O brasileiro precisa adquirir a consciência do coletivo. “A Lei de Gérson“ é uma merda. Mas é o que nos define.
Em que parte da prateleira nas livrarias seu livro deve ficar? No de poesias ou no de “literatura marginal”? Aliás, o que você pensa sobre este termo, e você já leu algum escritor deste “estilo”? Se sim, quais você destacaria?
O livro pode ficar no de poesia, pois o conteúdo é marginal. Há um escritor no Rio chamado Cristiano Onofre que publicou um livro chamado “Câmera Lenta“, bom pra caralho. O cara tem futuro.
Fiquei sabendo que em pouco mais de um mês, quase mil cópias do seu livro foram distribuídas, tudo no esquema “faça você mesmo”. Isto te surpreende você já esperava e quais suas expectativas a partir de agora?
Fiquei surpreso e muito feliz. Sei da qualidade do trabalho, afinal convivo com ele há mais de vinte anos. Mas não esperava tamanha repercussão.
CAPA DO LIVRO POESIA HARDCORE
Qual a reação do público com este seu trabalho e quem é o publico que você pretende alcançar?
Ler poesia é uma experiência que você deve ser iniciado. É como aprender a tomar vinho, com uma boa comida. As reações são diversas. Há aqueles que riem, há aqueles que acham muito loco. O bom é que ninguém ficou indiferente aos textos.
Analisando a arte da capa, dois aspectos julguei interessantes. A camiseta que você usa na foto da orelha do livro, e o retrato de um simpático cão. Buscando um dialogismo BAKHTINIANO, qual sua intencionalidade ao escolher estes retratos? Para mim é uma clara alusão ao Hardcore (pela camiseta da banda Atos de Vingança). E certamente este cãozinho tem um forte significado em sua vida...
A capa do Livro foi idealizada pelo Marcello Kaskadura, parceiro desde 86. Dei o título e ele fez a arte. A foto com a camiseta tem essa intenção mesmo. Originalmente meus dados pessoais ficariam sob a foto do meu cachorro, Milou, e não haveria nenhuma foto minha. Fiz isso para homenagear meu cão, que não tem formação acadêmica nenhuma, mas que vai figurar ad eternum como autor do livro. É uma forma de cutucar os literatos e mandar eles tomarem no cu.
Obrigado Eduardo pela atenção em atender o fanzine “Meus Amigos Bebem Muito Café”, parabéns pelo livro, pela sua história na cena underground e, por favor, acrescente o que acha que faltou, mande seu recado!
Cara, as perguntas estavam ótimas. Assim fica fácil. Parabéns pelo zine e pelo seu público. Até a próxima.


sábado, 2 de junho de 2012

AGAINE 1998

Escaneei direto dos meus arquivos zinísticos uma edição do Pineapple Popsicle fanzine uma entrevista do Againe feita pelo grande Marcelo Viegas.Confiram!!



sexta-feira, 1 de junho de 2012

Entrevista com o fotógrafo Marcio Salata.

Conheci o Márcio por acaso no facebook. Ele postou um vídeo do grupo Inquérito " Poucas palavras". Como faço música às vezes, mostrei um som pra ele. Resumindo a história, ao ver as fotos dele no livro "Poucas palavras" de Renam Inquérito, pesquisei e conheci um pouco do seu trabalho. Um cara batalhador, de personalidade forte, e que tem algo a dizer. Com vocês, Márcio Salata e seu "Pogo Fotográfico" !!!!



1-Queria evitar aquele lance clichê de entrevistas, mas não sei se lograrei êxito. Em todo caso lá vai: qual sua primeira memória relativa à fotografia?
 
O QUE VEM NA MINHA CABEÇA SÃO AQUELES LAMBE LAMBE DE RUA QUE TIRAVA FOTO 3X4 NO CENTRO DA CIDADE DE CAMPINAS NO FINAL DOS ANOS 70,ACHAVA AQUELES CARAS GENIAIS MESMO COM 6 OU 7 ANOS DE IDADE.

2- Um retrato conta uma história e cria um diálogo com quem o observa. O que você deseja “contar” quando dá o click?
 
DESEJO QUE VEJAM SENTIMENTOS,RAIVA,AMOR,EMOÇÕES E TODO TIPO DE SITUAÇÃO NÃO ESPERADA PELO OBSERVADOR,ATÉ AQUELES QUE NÃO SABE NEM QUE TIPO DE TECNICA QUE FIZ,O QUE ME IMPORTA É REALMENTE TIRAR EXPRESSÕES DE QUEM VÊ UMA FOTO MINHA.

3- Algumas vezes percebo as pessoas discutindo e arrumando tretas homéricas em redes sociais, no tocante a música, fotografia, e demais segmentos artísticos. Muitos reclamam da popularização dos meios. Por exemplo, hoje é bem mais fácil você gravar um som, dá pra fazer em casa no PC, as máquinas digitais estão mais baratas e presentes em boa parte dos telefones celulares, de repente todo mundo é músico, todo mundo é fotógrafos e isso incomoda muitos. O que você pensa sobre isso tudo, caro Márcio? Até que ponto esta visão é genuína e até que ponto é um pensamento elitista?

BOA E DIFÍCIL ESSA PERGUNTA,MAS VAMOS LÁ.
O QUE PENSO É QUE DOM É UMA BENÇÃO,QUE A TECNOLOGIA ESTÁ AI PRA TODO MUNDO,SOU UM PROFISSIONAL DE FOTOGRAFIA E VIVO DISSO E SEI QUE TEM MUITOS QUE ESTÃO AI DE PASSEIO POR MODINHA,O QUE EU VEJO É QUE PENSAM" BASTA APERTAR O BOTÃO E MANJAR DE PHOTOSHOP JÁ SOU UM BOM FOTOGRAFO".
NA ÉPOCA DO FILME OS CARAS FALAVAM ASSIM: "TENHO UM FILME DE 12 POSES" E TE DAVAM UMA CÂMERA MANUAL E TE FALAVAM" ME TRAZ ALGUMA COISA BOA AQUI".NÃO DIGO QUE SOU FODAO OU NÃO. ERRO MUITO,MAS TRAGO COISA BOA AS VEZES.
RESUMINDO QUEM É BOM VAI FAZER AGORA COM A TECNOLOGIA,PORQUE NÃO PODEMOS PARAR NO TEMPO,MAS NÃO SE PODE FURAR OS OLHOS PAGANDO DE FODÃO,TA FALTANDO HUMILDADE E ESTUDO,NÃO É PORQUE VC PODE FAZER UM MONTE DE FOTOS E APAGAR QUE TE TORNA BOM,SEJAMOS MAIS HUMILDES.

 
4- Observando suas fotos, notei uma forte ligação com o hip-hop. Vi seus trabalhos no livro do Renan Inquérito e a capa da revista Rap Nacional com o Ed Rock. Como foi pra você participar destes projetos envolvendo caras considerados na cultura hip-hop?

MUITO RESPEITO,PORQUE ESSES CARAS TANTO O PREGADOR LUO QUE FIZ TAMBEM UMA CAPA PRA RAP NACIONAL,O EDI ROCK O RENAN INQUERITO,EMICIDA,MARECHAL,SERGIO VAZ,BUZZO,TONI C,O GRAFITEIRO MUNDANO,A LENDA MILTON SALES ENTRE,NDEE NALDINHO E TANTOS OUTROS,SÃO PESSOAS QUE ESTÃO NA BATALHA FAZ ANOS E ESTÃO CONSEGUINDO A MUITO CUSTO QUE SEUS TRAMPOS SEJAM RECONHECIDOS E DIGO O QUANTO EU VEJO QUE É DIFICIL,PORQUE TEM MUITO PRECONCEITO COM O HIP HOP.
ENTÃO TENHO MUITO RESPEITO COM O MANDRAKE QUE ME CHAMA SEMPRE PRA FOTOGRAFAR ESSAS LENDAS.
 
5- Tô ligado que você manja de música também, além dela estar presente no seu trabalho, ao retratar bandas  e grupos de Rap, qual a importância dela na sua vida, e de primeira me cite dois discos que pra você são top.
 
ENTAO MINHA PRAIA É MAIS O PUNK E O ROCK EM GERAL.
É TIPO ASSIM EU FOTOGRAFO MELHOR E COM MAIS INSPIRAÇÃO QUANDO TEM BANDAS QUE EU NEM CONHEÇO MAIS A PEGADA DOS CARAS NO PALCO ME DA INSPIRAÇÃO E COM BANDAS QUE CONHEÇO,ACHO QUE MEU DEDO E MEUS OLHOS SÃO MOVIDOS PELA MUSICA É TIPO UM POGO FOTOGRAFICO EU REALMENTE ENCARNO ISSO.RSRSRSRS
DUAS BANDAS FODAS QUE SOU FÃ PRIMEIRA E SEUS ÁLBUNS FODAS-------- JOY DIVISION - UNKNOW PLEASURES -1979
E OS AUSTRALIANOS DO THE CHURCH-STARFISH-1988.
CLARO QUE MUITOS OUTROS MAS DE CARA SÃO ESSES QUE SOU FÃ MESMO.

6- Pra fazer uma boa foto, o que é mais importante? Técnica, feeling, uma câmera de última geração ou um olhar diferente?

NÃO VOU FALAR NENHUM CLICHÊ,MAS TODAS ESSAS QUE VC CITOU SÃO FUNDAMENTAIS.
TÉCNICA AJUDA VOCÊ A FAZER UMA FOTO QUE SERIA OBVIA NUMA SITUAÇÃO EM ALGO MAIS ATRATIVO,O FEELING É ALGO Q QUANDO TE FALTA TÉCNICA VOCÊ FAZ E DEPOIS PODE SER UM BOM RECORTE TIPO VOCÊ PODE TER O FEELING NO MOMENTO DA FOTO OU DURANTE A EDIÇÃO ONDE JA INCLUO O OLHAR E CÂMERA SIM É FUNDAMENTAL COM O TEMPO QUE VOCÊ VAI SE APRIMORANDO,PRINCIPALMENTE UMA CÂMERA QUE OPÇÕES DE FOCO MAIS RÁPIDO,ISO ALTO SEM NOISE E QUALIDADE DE IMAGEM, ENTÃO FICA DIFÍCIL TER APENAS UM BOM OLHAR,TEMOS QUE SER REALISTA UMA COISA COMPLEMENTA A OUTRA.
maresias

freira

7-Escolha 4 fotos de sua preferência e fale um pouco sobre cada uma delas.


,A 1° É UM CONTRA LUZ EM MARESIAS QUE FIZ EM PB PORQUE GOSTO MUITO E PORQUE  CONTRA LUZ SEMPRE FOI DESAFIO,PRA FOTO NAO FICAR APENAS SOMBRA E SIM VC VER LUZ.
A 2°FOI MINHA PRIMEIRA FOTO DIGNA NA ERA DIGITAL,E FOI PURA SORTE ACHAR ESSA FREIRA TOCA DE ASSIS ANDANDO NO MEIO DE UM CANAVIAL.
A3° É DO PREGADOR LUO NO PARQUE DO IBIRAPUERA.
A 4° É DO MEU PARCERO DIRETOR DE CLIPES VRAS 77.

8- Muito obrigado pela atenção, fiquei extremamente feliz pela sua participação no fanzine “Meus Amigos Bebem Muito Café”. Gostaria que você deixasse seus contatos pra quem quiser conhecer mais do seu trampo, seu recado e já é mano.
Luo


VALEW MESMO PELA OPORTUNIDADE E FANZINE É O TIPO DE ARTE UNDERGROUND QUE RESPEITO MUITO,JÁ QUE FEITA DE FORMA INDEPENDENTE E CULTURAL E ESSA ARTE NÃO MORRA NUNCA.OBRIGADO PELA OPORTUNIDADE SE SOMAR COM MEUS TRAMPOS.ABRAÇOS.



E O TWITTER 

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