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domingo, 7 de setembro de 2014

SURFACE: ANVERSO - NOVO CD E DVD DA BANDA DÁ UMA AULA DE PUNK E DO IT YOURSELF

Depois de um certo hiato, nada como retomar o zine/blog em grande estilo. Dias atrás chegou até mim o mais novo trampo do meu camarada Cientista e da banda paranaense Surface.
Se trata do CD e DVD “Anverso”, que traz um CD gravado em estúdio este ano, com 15 faixas que englobam a discografia da banda, um show de 2013 com as mesmas canções e um documentário onde eu tive a honra de participar comentando como conheci a banda em meados de 1997 ( faz tempo, ein?).
Conferindo o Anverso e participando do documentário, grande honra s2 

Como bem disse Cientista, baterista da Surface e batalhador não só da cena de Londrina, mas nacional, afinal de contas, foi ele o idealizador da fantástica e histórica série de coletâneas HC SCENE, via Lab Records- selo que ele criou para lançar as coletas e discos da Surface- :
 “Reclamar da vida é fácil, difícil é fazer algo para as coisas mudarem”. Essa perspectiva de olhar expressa por ele e pela banda servem de inspiração pra quem sonha em gravar seu disco, lançar seus trabalhos, e também como um tapa na cara de quem acha que as coisas caem do céu.

Com uma qualidade acima de muitos trabalhos feitos pelo “alto escalão”, Anverso se destaca pela simplicidade, pela raça e pela sinceridade, características que saltam aos olhos e ouvidos. O DVD ainda contém outro documentário da banda coirmã da Surface, a Hard Money, que também vale a pena dar uma sacada.

Dentre as canções, destaco “Viva a diferença” , que está presente na demotape Split ( uma das primeiras, senão a primeira que comprei na vida) e “Outro Engano”- minha favorita. Composições que possuem sim um forte apelo pop, porém, no melhor sentido e acepção da palavra.
As guitarras bem trabalhadas de  Paula e Miguel somadas à voz suave e marcante de Debora, além da competente Claudia ( baixo) e a cozinha de Cientista, garantem não só diversão durante Anverso,mas também a reflexão acerca de diversos temas cotidianos e até mesmo politizados ( como em “Adote, não compre”).
Mas não é só isso, o trampo da Surface é uma verdadeira aula de paixão pelo punk rock e do lema chave que todos nós que nos envolvemos com o underground e o punk carregamos em nosso DNA: FAÇA VOCÊ MESMO.


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O MUNDO ENCANTADO DOS FANZINES

Se existe algo que me empolga é a produção independente e de qualidade feita nos subterrâneos. Frenéticamente,a arte independente segue sua incessante produção por meio de zines, livros, música, ilustrações e os mais diversificados e estéticos estilos artísticos.
Pra começar o ano, este post falará um pouco sobre coisas bacanas da cena alternativa e underground que recebi nos últimos tempos, mais precisamente no campo dos fanzines. Posteriormente falarei de alguns livros, como o Porcontos Populares, do Barata Cichetto, e o mais recente livro do Nenê Altro, denominado Clandestino.

Zines

APENAS MAIS UMA HISTÓRIA 
Recebi este zine e me impressionei pela simplicidade e pura poética destilada pelas pequeninas páginas feitas pela Thay Sanches. 

Confira o trabalho no link:

ZINE ALMA 
O nome é super adequado ao contexto do zine confeccionado pela Bruna Morgan. Lembra o zine mencionado anteriormente, com ilustrações e palavras carregadas de sensibilidade e exacerbação poética. É uma história sobre alguém que busca sua própria alma que se perdeu. Puro talento!


TODOS OS LADOS DA TARDE 
Indo agora pra uma linha mais literária, o zine do Gui Nascimento, conhecido também pelo seu trabalho frente à banda Jack's Revenge, tem um texto absurdo de tão interessante. A criatividade do cara chegou ao ponto de no conto que consta no zine, a leitura poder ser feita em ordem aleatória. Bela sacada!
E-mail: assisagnaldo@gmail.com 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Podcast "meus amigos bebem muito café", na rádio Ponto Alternativo

Fui convidado pelo Jonas da Rádio Ponto Alternativo pra fazer um podcast, então o nome não poderia ser outro, confiram aê! = )

BLOCO 1
1- SECOND COME - VIOLENT KISS
2- SECOND COME- JUSTIFY MY LOVE
3- PIN UPS - KILL MY SELF
4- DE FALLA - MELÔ DA MASSA FUNKEIRA
BLOCO 2
1- NAU - BOM SONHO
2- ESCOLA DE ESCANDALOS- O GRANDE VAZIO
3- ESCOLA DE ESCANDALOS- LUZES
4- MERCENÁRIAS- IMAGENS
5- MERCENÁRIAS - LOUCOS SENTIMENTOS
BLOCO OUVINTES
1-KRIAS DE KAFKA - TIRINHAS
2-SIBERIAN MEAT GRINDER- HAIL TO THE TSAR
3-SURFACE- OUTRO ENGANO
4- CANNIBAL COFFEE- NIETXXXERIA
5- THE SMITHS- HANDSOME DEVIL
BLOCO LANÇAMENTOS
1- SEEK TERROR - OS GAROTOS CREESCERAM
2- SEEK TERROR - NADA PODE PARAR
3- SEEK TERROR - INIMIGOS POR NATUREZA
4- LUTA ARMADA - STILL PUNX E STILL POOR
5- ATOS DE VINGANÇA- BANANA MECÂNICA
BLOCO MISCELÂNEA
1- AI5- JOHN TRAVOLTA
2- THAYDE E DJ HUM + CLEMENTE INOCENTES- PÂNICO EM SP
3- FALANGE- FALANGE SUBURBANA
4- BOI MAMÃO- SURFISTA CALHORDA
5- GUETO- GUETO


sábado, 20 de outubro de 2012

PunKtoberfest 2012- 19/outubro- Hangar 110 - São Paulo


   Hangar 110 aparentemente vazio em uma sexta à noite para a punktoberfest 2012. Qual seria o motivo?        Segundo alguns, o último capítulo da novela e a revelação bombástica de quem matou Karl Marx. Nem precisa ver a novela pra saber que foi  o sistema capitalista.



   O Danilovers abriu a noite fazendo um som que me lembrou um pouco Green Day com um visu Toy Dolls, ou algo assim. Deu pra perceber letras irônicas, engraçadas e tal.



   Na sequência o Sanitarium lançou um hardcore sem firula, com boa pegada, presença e cover de ratos de porão (AIDS, pop, repressão), como um dos pontos altos da apresentação dos guris.



   Foi então que o Deserdados adentrou depois de alguma espera no clássico palco da casa mais emblemática do punk contemporâneo! No fim dos anos 90, começo de 2000, tive o privilégio de dividir o palco com eles, pode parecer bobeira e romântico, mas foi demais tocar com os caras que conheci por meio da coletânea SP Punk com “não quero mais” e “punk até a morte”. Ontem assim que soaram os primeiros acordes do “rock de combate” (termo que cai perfeitamente de acordo com a proposta de som da banda) me veio a mente toda uma época e a alegria de ver que os caras tão cada vez melhores naquilo que fazem: punk! Celo, Lambão e Favela levantaram o público que a esta altura já estava em maior número, com clássicos como “mau exemplo”, e tantos outros. Show foda, banda foda, vibe foda!

   Encerrando a noite, o lendário Inocentes, com Clemente e sua trupe, soando mais pesado do que eu me lembrava! Este show alimentou ainda mais minha ansiedade pelo próximo lançamento dos caras. Não pude ver o show todo, mas sai fora logo após o hino punk “desequilíbrio”, e ao menos na minha concepção, senti que os caras tão ai ate hoje porque nutrem paixão por aquilo que fazem. O festival Punktoberfest continua hoje com as bandas Lomba Raivosa, Merda, Leptospirose e Cólera, mas infelizmente não poderei comparecer!
Quem puder, se jogue!

sábado, 23 de junho de 2012

ENTREVISTA: EDUARDO DEFEBO

Músico, escritor, professor, ou como costumamos dize na "quebrada", "mil fita".Este é o Edu, figura interessante da cena underground , com  o qual troquei um proceder, saquem aí!


De início, porque escolheu este nome “poesia HARDCORE” como título do seu livro, Eduardo? Aproveitando o contexto, qual a sua concepção de Hardcore?
O título nos remete a algo “na veia”, compromissado com tudo que nos faz viver: sexo, drogas , Rock´n´Roll, filhos, relacionamentos, enfim ... a porra da vida toda. A minha concepção de Hardcore é algo que tem pegada, “baguio” Punk.
Na contra capa do livro, você tece uma descrição sobre as formas de se compor poesia, fazendo uma analogia com poetas e suas maneiras de escrever. Você cita de Beatles até Fernando Pessoa. Qual a importância destes dois nomes na sua vida e eles exercem algum estímulo ou influência na sua escrita?
Quando fiz Letras, fiz, pois queria estudar Fernando Pessoa. Ele só não é maior que o Bardo Inglês porque escrevia em português. Já os Beatles, inegavelmente, foram os norteadores das melodias modernas. Como também sou músico amador, eles sempre estiveram presentes em minha formação musical.
Nota-se um tom bastante confessional em seus poemas. Ao seu ver, existe uma linha tênue que separa “eu lírico” do autor, ambos se confundem, ou é apenas um “xaveco” que aprendemos na faculdade e em manuais de teoria literária?
Você está presente em tudo o que você escreve. Não há como separar. No entanto, e aí é que tá a loucura da coisa toda, Você pode inventar. Há autores que pessoalmente são um pé no saco. Mas sua obra!
Nota-se referências ao Rock em seus textos. Seja no “HARDCORE” do título ou em sentenças como “Elvis is dead” ou até mesmo “E que tudo mais vá pro inferno” que também demonstram esta ligação.  Fale sobre estas e outras referências “rockeiras” em sua obra.
Realmente tenho essa influência. Percebo que o fã de rock, blues, sambas antigos, ou seja, de tudo que tenha conteúdo, é mais crítico, exige mais daquilo que lê. É natural fazer essa transposição para o texto literário. Torquato Neto e Paulo Leminski já faziam isso.
Me identifiquei em vários aspectos com seus textos e até com semelhanças como o fato de pertencer ao magistério e estar inserido em bandas do meio underground. Fale sobre estas suas outras facetas (professor e músico).
Isso me ajudou muito quando ingressei no magistério. Estou no palco desde os 17 anos. Quando a profissão de professor surgiu, aos 25, eu já era craque em entreter as pessoas. Pois é isso que um professor faz em um primeiro momento: seduzir. Você tem que convencer a pessoa de que aquilo é o que liga. Mas pra isso, tem que acreditar também.
Ao me formar, fui pra sala de aula encantado com as propostas de Paulo Freire, Dermeval Saviani, entre outros. Sofri um imenso choque, talvez por ainda possuir certa ingenuidade e sonhos, e me senti de fato, numa guerra onde os exércitos eram bem definidos, de um lado os reacionários que perpetuam e procuram defender o sistema de todos os modos, de outro os progressistas, minoria e sem perspectivas. Você como professor, escritor, músico e cabeça pensante, como enxerga a educação, o ensino público em nosso país?
Maluco, infelizmente o ensino público parou no tempo. Fiquei lá 15 anos e nada mudou. Muitos Professores são heróis, pois trabalham sem as mínimas condições. Um fator que ajudaria a mudar como os alunos encaram o ensino seria As FAMÍLIAS TOMAREM VERGONHA NA CARA E ACOMPANHAR O ESTUDO DOS FILHOS. Escola Pública hoje é depósito de crianças.
Voltando ao seu livro, aspectos como data e hora, e principalmente localidade de onde foram compostas suas linhas ali traçadas, me chamaram a atenção. Percebe-se que você passou por muitas daquelas situações na zona leste de São Paulo. Que lembranças você tem destes lugares?
Nasci na Vila Formosa, e passei a adolescência na Mooca. Depois morei em Itaquera, A.E. Carvalho , São Mateus , Brás e estou na Mooca novamente. Iniciei minha carreira como Professor em São Mateus, Fazenda da Juta, Parque São Rafael, lugares Hardcore. Onde o couro come. O povo é muito maltratado nesses lugares. Até as vezes pelos próprios moradores do bairro. O brasileiro precisa adquirir a consciência do coletivo. “A Lei de Gérson“ é uma merda. Mas é o que nos define.
Em que parte da prateleira nas livrarias seu livro deve ficar? No de poesias ou no de “literatura marginal”? Aliás, o que você pensa sobre este termo, e você já leu algum escritor deste “estilo”? Se sim, quais você destacaria?
O livro pode ficar no de poesia, pois o conteúdo é marginal. Há um escritor no Rio chamado Cristiano Onofre que publicou um livro chamado “Câmera Lenta“, bom pra caralho. O cara tem futuro.
Fiquei sabendo que em pouco mais de um mês, quase mil cópias do seu livro foram distribuídas, tudo no esquema “faça você mesmo”. Isto te surpreende você já esperava e quais suas expectativas a partir de agora?
Fiquei surpreso e muito feliz. Sei da qualidade do trabalho, afinal convivo com ele há mais de vinte anos. Mas não esperava tamanha repercussão.
CAPA DO LIVRO POESIA HARDCORE
Qual a reação do público com este seu trabalho e quem é o publico que você pretende alcançar?
Ler poesia é uma experiência que você deve ser iniciado. É como aprender a tomar vinho, com uma boa comida. As reações são diversas. Há aqueles que riem, há aqueles que acham muito loco. O bom é que ninguém ficou indiferente aos textos.
Analisando a arte da capa, dois aspectos julguei interessantes. A camiseta que você usa na foto da orelha do livro, e o retrato de um simpático cão. Buscando um dialogismo BAKHTINIANO, qual sua intencionalidade ao escolher estes retratos? Para mim é uma clara alusão ao Hardcore (pela camiseta da banda Atos de Vingança). E certamente este cãozinho tem um forte significado em sua vida...
A capa do Livro foi idealizada pelo Marcello Kaskadura, parceiro desde 86. Dei o título e ele fez a arte. A foto com a camiseta tem essa intenção mesmo. Originalmente meus dados pessoais ficariam sob a foto do meu cachorro, Milou, e não haveria nenhuma foto minha. Fiz isso para homenagear meu cão, que não tem formação acadêmica nenhuma, mas que vai figurar ad eternum como autor do livro. É uma forma de cutucar os literatos e mandar eles tomarem no cu.
Obrigado Eduardo pela atenção em atender o fanzine “Meus Amigos Bebem Muito Café”, parabéns pelo livro, pela sua história na cena underground e, por favor, acrescente o que acha que faltou, mande seu recado!
Cara, as perguntas estavam ótimas. Assim fica fácil. Parabéns pelo zine e pelo seu público. Até a próxima.


sexta-feira, 16 de março de 2012

Meus amigos bebem muito café - v/a -volume tres

Ano passado coloquei no ar, o projeto da coletânea virtual do fanzine, com várias bandas alternativas nacionais e até da America do Sul. Tenho muita alegria em lançar agora o volume 3 da "meus amigos bebem muito café". Agradeço todas as bandas, todos que divulgam e todos que dão suporte ao underground.A proposta continua a mesma, mesclar  os mais diversificados estilos. Este volume conta  com a nossa primeira parceria, a SUBVERTA PRODUÇÕES. Se liga nas bandas:
ÓDIO SOCIAL (São Paulo/SP)
SISTEMA SANGRIA (São Paulo/SP)
SATANIC SHARKS (São Paulo/SP)
FUGITIVOS DA YAKUZA (Florianópolis/SC)
SIN AYUDA (Taubaté/SP)
DISCHAOS (São Paulo/SP)
NUESTRO SANGRE (Teresópolis/RJ)
RAMISTERS (São Paulo/SP)
ARTIGO DZ9? (Agudos/SP)
SENANDIOMA (Aracaju/SE)
LAZY JONES (São Paulo/SP)
LADO LESTE ALERTA (São Paulo/SP)
GUERRA URBANA (Recife/PE)
MÁQUINA (Santos/SP)
FUCKING HATE (?...)
MANIAC BASTARDS (?..)
LOMBA RAIVOSA (São/Paulo/SP)

Baixe e dissemine aos 4 cantos do mundo por este link: http://www.mediafire.com/?1xolr8qg8a8nnya
aproveite e baixe as edições anteriores: vol 01 http://www.4shared.com/file/HO8-YPhv/coletnea_meus_amigos_bebem_mui.html 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Astronauta Pinguim -centro cultural vergueiro 11/12/2011

Domingo, ardendo em febre, fiz a loucura de sair de casa mesmo assim e dar uma conferida no show do “rei dos moogs”, o digníssimo senhor  ASTRONAUTA PINGUIM!!

Agora com o baterista  Ramiro Pissetti  , o produtor  e músico    lançou recentemente seu terceiro disco, o eletro popZeitgeist/propaganda. Ainda não ouvi com a calma devida, mas pelas canções que pude conferir, tá na mesma pegada  do seu antecessor  “Supersexxxysounds” (Pineapple Music, 2008), numa vibe oitentista, brisada,menos surf music e mais krautrock.  Bem legal o entrosamento  de Pinguim e Ramiro Pissetti, (ambos já tocaram juntos no ANIMALES).Pissetti ainda largou as baquetas  em determinado momento do show e nos deu um tostão de sua voz . 

Além do show ser bacana, do som ser  de qualidade, e de todo carisma de Astro Ping, há toda uma mística com o local do evento, a sala “ Adoniram Barbosa. Me deu um certo saudosismo de quando assisti lá um show do Ira!, um outro do SONIC Disruptor , e de quando reconheci a sala em uma foto no cd do Varsóvia, banda que eu sempre sonhei em ver, mas era criança na época, e ninguém quis me levar... enfim, divagações e lembranças a parte, tirando a febre que me consome até o exato momento , foi um ótimo domingo, feliz por poder conferir ao vivo e ao lado do meu sobrinho ( há uns três anos atrás, meu sobrinho, que estuda teclado, me apresentou  o som do astronauta pingüim, de cara  já pirei naquela eletro chapado, cheio de referências bacanas, o que me fez pesquisar, entrar em contato com o cara, realizar uma entrevista com ele e convidá-lo depois para participar da coletânea “meus amigos bebem muito café vol 2) o trabalho deste  criativo músico gaúcho de nascimento e cada vez  mais paulista de coração.Seguem algumas fotos que fiz e um trecho da apresentação.