fanzine que marcou presença circulando em caixas de correio por meio de selo social com cola em distintas localidades do país. para os saudosistas e cafeinados, a volta daquele que foi comprar cigarros e nunca mais voltou...
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terça-feira, 25 de agosto de 2015
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
O MUNDO ENCANTADO DOS FANZINES
Se existe algo que me empolga é a produção independente e de qualidade feita nos subterrâneos. Frenéticamente,a arte independente segue sua incessante produção por meio de zines, livros, música, ilustrações e os mais diversificados e estéticos estilos artísticos.
Pra começar o ano, este post falará um pouco sobre coisas bacanas da cena alternativa e underground que recebi nos últimos tempos, mais precisamente no campo dos fanzines. Posteriormente falarei de alguns livros, como o Porcontos Populares, do Barata Cichetto, e o mais recente livro do Nenê Altro, denominado Clandestino.
Zines
APENAS MAIS UMA HISTÓRIA
Recebi este zine e me impressionei pela simplicidade e pura poética destilada pelas pequeninas páginas feitas pela Thay Sanches.
Confira o trabalho no link:
ZINE ALMA
O nome é super adequado ao contexto do zine confeccionado pela Bruna Morgan. Lembra o zine mencionado anteriormente, com ilustrações e palavras carregadas de sensibilidade e exacerbação poética. É uma história sobre alguém que busca sua própria alma que se perdeu. Puro talento!
TODOS OS LADOS DA TARDE
Indo agora pra uma linha mais literária, o zine do Gui Nascimento, conhecido também pelo seu trabalho frente à banda Jack's Revenge, tem um texto absurdo de tão interessante. A criatividade do cara chegou ao ponto de no conto que consta no zine, a leitura poder ser feita em ordem aleatória. Bela sacada!
E-mail: assisagnaldo@gmail.com
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013
MEUS AMIGOS BEBEM MUITO CAFÉ #6
E a sexta edição do programa chegou chegando. Entre as novidades, bloco do Douglão, Bloco do ouvinte com o mano Mamma, novos petardos no momento Kaska e a anarquia de sempre. Só ouvir, baixar e disseminar!
BLOCO 1 MEU MP3
1- POTSHOT – WE ARE POTSHOT – ska japa louco e com aquela pegada hc
2- Buffalo tom – summer – canção clássica, naquela levada indie que nóis gosta
3- Delinquents Habits- 3 delinquents ( hip hop latinão, bem louco, só quem eh)
4- Fugazi – merchandise- dispensa comentários, talvez a banda mais influente do mundo
BLOCO COVER, VERSÕES E AFINS
1- CAMISA DE VÊNUS- CONTROLE TOTAL ( VERSÃO DO CLASH)
2-SILVERCHAIR- MINOR THREAT
BLOCO DO DOUGLÃO
1-(hed)P.E. - Lock And Load
2-bbq chickens - Keep it Real
3- The Accüsed - Distractions
Bloco Tarantino
1- URGE OVERKILL- GIRL , YOU’LL BE A WOMAN SOON ( PULP FICTION) tema marcante de Pulp Fiction
2- Chris farlowe – Paint it black (cover dos stones)
3- OHIO EXPRESS- CHEWY, CHEWY
BLOCO MOMENTO KASKA
1-Rosto Morto (Cristiano Onofre) - curta metragem da Chama Vídeo Independente
2-Asfixia Social - A nossa voz é uma bomba
3- Sacrilege - Lifeline
BLOCO DO OUVINTE
PEDIDO DO MAMMA - PARTE 1 COM A CANÇÃO PRA MIM O CÉU É SEMPRE CINZA
BLOCO FINAL
- SHOW DIA 26 /SET COM CAD + PEROSSI EXPO NO CIAM
-POESIA SOLANO TRINDADE
chega pra somar!
www.facebook.com/meusamigosbebemmuitocafe
www.coffeealot.blogspot.com.br/
www.radiopontoalternativo.com.br
1- POTSHOT – WE ARE POTSHOT – ska japa louco e com aquela pegada hc
2- Buffalo tom – summer – canção clássica, naquela levada indie que nóis gosta
3- Delinquents Habits- 3 delinquents ( hip hop latinão, bem louco, só quem eh)
4- Fugazi – merchandise- dispensa comentários, talvez a banda mais influente do mundo
BLOCO COVER, VERSÕES E AFINS
1- CAMISA DE VÊNUS- CONTROLE TOTAL ( VERSÃO DO CLASH)
2-SILVERCHAIR- MINOR THREAT
BLOCO DO DOUGLÃO
1-(hed)P.E. - Lock And Load
2-bbq chickens - Keep it Real
3- The Accüsed - Distractions
Bloco Tarantino
1- URGE OVERKILL- GIRL , YOU’LL BE A WOMAN SOON ( PULP FICTION) tema marcante de Pulp Fiction
2- Chris farlowe – Paint it black (cover dos stones)
3- OHIO EXPRESS- CHEWY, CHEWY
BLOCO MOMENTO KASKA
1-Rosto Morto (Cristiano Onofre) - curta metragem da Chama Vídeo Independente
2-Asfixia Social - A nossa voz é uma bomba
3- Sacrilege - Lifeline
BLOCO DO OUVINTE
PEDIDO DO MAMMA - PARTE 1 COM A CANÇÃO PRA MIM O CÉU É SEMPRE CINZA
BLOCO FINAL
- SHOW DIA 26 /SET COM CAD + PEROSSI EXPO NO CIAM
-POESIA SOLANO TRINDADE
chega pra somar!
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sexta-feira, 12 de julho de 2013
Demos, cds,vinis e reviews
Sempre recebo, compro e ganho bastante coisa legal em termos
de discos, cds, mp3 e tudo mais. Confira o que de mais legal caiu na minha mão
nos últimos tempos.
Beach Lizards “Spinal Chords”
Este CD é um relançamento de 96, com mais 14 faixas bônus
extraídas de demo-tapes e afins. Pra quem não conhece, o Beach Lizards era (é)
do Rio e fazia (faz?) um som mezzo surf, mezzo punk, mezzo skate, e por aí vai.
Na capa a referência ao selo é ao curitibano Barulho Records, no entanto, li no
encarte que se tratava de um relançamento via Thirteen records. Seja lá quem
lançou, vale a pena pra sacar a circa
noventa e pouco tupinikin.
Desgraça Sonora #1 – V/A
Coletânea produzida pelo extinto selo teenager in a box, não
tenho certeza mas creio que tenha sido um dos últimos, senão, o último
lançamento deles. O som da desgraça ecoa dos falantes com 20 bandas intensas e
barulhentas, entre elas os veteranos do Armagedom,o rapcore do Artigo DZ9, os
punks do Atos de Vingança , além do clássico Tijolo Seis Furos lá do sul e o
Reiketsu que marca presença com um puta som chamado “Pressão”. O CD ainda tem
as bandas Vou Cuspir No Seu Túmulo, Post Atomic Dogs, Leprose, Slag, Pode Pá,
Nosso Ódio Irá Atacar, Visão Vermelha, Obliteração, Macgyver The Animal,
Porcria, Entendeu?, Sistema de Mentiras, Sujeito a Lixo, Thrash Hungry Punx, e
E.R.R.O.
Chaoz Day vol 2- V/A
Lançamento mais antigo, de 2009, veio pra mim se não me
falha a memória, em algum sorteio de Facebook e afins. Produça da Casa Punk
Records e é uma das coletâneas que mais curto pois além de trazer o RawPunk do
grande Luta Armada, ainda têm uma das bandas que eu mais amo no país, o
Deserdados!
No cast temos ainda o Estado de Guerra,Ódio Brutal, Colisão Social,
Geração Ofensiva, Cirrose Cerebral, Ódio Social, Taquicardia e Plebeus Urbanos.
Altamente recomendado pelo zine e por mim e mantendo
a chama punk acesa, de fato!
UV Mobile – Último Volume- V/A
Outra coleta, desta vez recebi como antigamente, via
correio, do blog Disco Furado. Lembrei na hora daquele lance anos 90 de fitas
cassetes chegando direto pra serem resenhadas no zine impresso. Se trata de uma
compilação da rádio Lumen, com várias bandas da cena indie, eletrônica, onde eu
destaco entre os 17 grupos, o rap bacana do Cabes MC e o rockinho moderno do
Audac com a canção Real Painkiller.
Ótima iniciativa da rádio. Para quem não
sabe, UV Mobile é um quadro do programa Último Volume que vai ao ar desde 1997.
Acompanhe a rádio e o trampo dos caras : ultimovolumeradioshow.blogspot.com.br
Jerseys – EP – 2013
Formado por Phernandu - Vocal and Guitar, Japa - Bass and
Backing Vocals ,Flávio - Guitar e Tim - Drums and Drinks, o quarteto santista
faz seu debut num EP que transpira energia e pegada rock mesclando punk rock e
vocais pique Social Distortion, Hot Water Music e Alkaline Trio. Alguns
momentos mais punk/hc como em Punk rock Song/hate hate hate, e feeling total em
Word and Honor. Muito legal e você pode conferir tudo na faixa via bandcamp http://jerseys.bandcamp.com/.
Chaoz Day 2013- vivemos o punk e é isso que somos!- V/A- CD
duplo
FU-DI-DO! Assim eu defino esta coletânea que sem dúvida,
está entre as mais bem produzidas e de mais atitude que já vi naquilo que
convencionamos a chamar de “cena”. Acho que a palavra cena aliás, encontra
neste projeto a melhor acepção que o termo poderia encontrar. 20 bandas
distribuídas democraticamente em 2 CD’s com 2 sons cada. E tudo na mesma
qualidade (ótima) e energia. Algumas diferenças musicais, até de ideias, mas
que somam durante a coleta e fazem com que este CD soe como algo carregado de
honestidade, verdade, raiva, ódio, amor, energia e som porrada na orelha.
No cast, as seguintes bandas:
CD 01 - Luta Armada
(SP) , Maldita Ambição (Litoral SP) , The Bloodclots (U$A) , Pós - Guerra (SP)
, Resto De Lixo (Arujá) , Mollotov Attack (ABC) , Sarjeta (SP) , Atos de
Vingança (SP) , Antagônicos (Franco da Rocha) , Doosday (Colômbia).
CD 02 -Calibre 12 (SP), Confronte Stage (Ukraine) , Síndrome
Letal (DF) , The Squintz (DF) , Open Beer (Francisco Morato) , Vozes Incômodas
(SP) , Para Raio Da Desgraça (RS) , Guerra Urbana (PE) , Escöria (RS) , Sub
Existência (SP). Estados unidos, Brasil, Colômbia e Ucrânia compõem a coleta
que me remete aos melhores momentos ou ao menos, os mais marcantes do Punk,
como a coletânea SUB, Ataque Sonoro e Grito Suburbano.
Coube ao trio Rawpunk Luta Armada, abrir o play de maneira
ímpar. Cantando em inglês, os sons Still Punx & Still Poor e S.U.S
arregaçam, sem mais. Gostei muito do Bloodclots dos EUA, sempre bacana conhecer
bandas de outros lugares e esta eu de fato, nunca havia escutado. O Mollotov
Attack é outra banda que marca presença, esta já tive o prazer de ver ao vivo
aliás. E o que dizer do Atos de Vingança, cada vez se superando mais e fazendo
um som mais treta a cada nova gravação? Banana Mecânica, segunda faixa da banda
na coletânea, já aparece com ares de clássico
do underground.
Antagônicos é outra que não conhecia e gostei muito, assim
como todas as bandas do projeto, sem exceção. Como é foda comentar banda por
banda e acho que muito melhor do que ficar aqui tecendo comentários, é ouvir a
parada, apenas vale a menção de que o grande Sub Existência fecha o CD com
“Fogo Cruzado” e “Sob condicional”, faixas presentes no recente CD da banda que
já saiu até aqui no zine. Garanta o seu, vale a pena fortalecer e somar com
estes guerreiros da música Do It Yourself.
SxPxSxC – Subversão ao podre sistema capitalista
Banda punk/hc da zona oeste de SP, na ativa desde 2000. Quem
jogou na minha mão este cd/demo foi o Favela, que toca bateria no SxPxSxC e
também do Deserdados. São 6 sons bem gravados, rápidos e sem delongas, no
espírito foda o sistema.
Doppelgangers- This shit is not for Pablo- Ep/demo
Usar o que se têm de recursos pra fazer algo bacana, por
mais simples que seja. Este foi o primeiro pensamento que me veio quando peguei
na mão o cdzinho dos Doppelgangers. Sem firula, sem frescura, direto ao ponto:
encarte com as letras, dobradinho e fazendo as vezes de capinha, e ainda um
tipo de pôster bem simpático dentro.
E o CD é legal, mas talvez não agrade quem não está acostumado com propostas de bandas como Joan of Arc ou os mestres
Kinsellas Cap n” Jazz. Tá que é “chover no molhado” (a expressão mais clichê da
face da terra), mas não dá pra dizer que os caras não buscaram ali na fonte
Kinsellana. Ouça e tire suas conclusões. Eu já sou suspeito pra falar, virei fã
e o show que eles fizeram no lançamento da coletânea Meus Amigos Bebem Muito
Café foi muito foda.
discoseafins.tumblr.com
Shimbaus Trio- Passeio a dois
Taí um disco que eu nunca consigo parar de ouvir. É feito um
conto de Clarice ou um Romance do Kafka, daqueles que você pega e não consegue
parar. Mais ainda, dá sempre vontade de retomar a leitura, ops, audição.
| shimbaus no evento mais cafeinado do ano |
Pegada indie rock, letras que dialogam com texturas,
locais, pessoas, transportando os contextos como mudanças de estações. Destaque
para “Maca do amor”, canção que talvez sintetize este trabalho tão especial que
caiu em minhas mãos.
Rompendo fronteiras- Compilação Libertária- 6 way Split- cdr
O Rogério Art till Death que me deu este CD pesadão com as
bandas Espanto, Plebeus Urbanos, Narcose, Recus@rmada, Psicultura e Vítimas do
Ódio. Cada banda com 4 sons que trilham do punk ao hardcore toscão e insano. Em
“Morte no INSS”, o Narcose investe numa pegada mais “rapeada”, dentro do HC
característico. Vale a pena dar uma sacada neste play, ótima iniciativa da
Plebe Records, Grito de revolta distro e Extreme Noise Discos.
Ódio Social – 7”
Lançado pela HARDCAOS, o vinilzinho do Ódio Social transpira
o puro ódio que faz justiça ao nome da banda em 5 singelas canções para te dar
mais força (munição) no dia-a-dia. ‘Traços de um povo”, “Morrer de trabalhar”, “Calamidade”
e “Som da alienação” mais “Avtomat Kalashnikova” compões a bolachinha. Saiu
também uma versão em K7, corra atrás porque deve estar no final.
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domingo, 9 de junho de 2013
Lançamento da Coletânea Meus Amigos Bebem Muito Café CIAM SP - 08/JUNHO/2013
Sábado de outono na zona leste de São Paulo, depois de
alguns cafés e 2 ônibus, cheguei no CIAM para o evento de lançamento do volume
4 da coleta Meus Amigos Bebem Muito Café. Ansiedade foi muita.
Primeiro, porque foi o primeiro evento do zine, distro,
blog, selo e futuramente editora M.A.B.M.C. Segundo pois além da expectativa de
todas as bandas colarem, cumprirem o cronograma pra não atrasar o lado de
ninguém e conseguir ajudar a galera que não conhecia o lugar, chegar de boa no
pico. Segundo porque era o primeiro show da banda Kick To Hell, idealizada pelo meu amigo
Douglas e a Carol, motivo de eu deixar de lado o comodismo musical e tentar
aprender a tocar baixo.
| Rogerio Art Till Death expondo seus trampos |
E confesso pra quem acompanha meus projetos que valeu muito
a pena. Seja pelo suporte da casa CIAM na figura do grande Dimas, que deixou
todos a vontade e até curtiu os Raps “vida loca” que mandei na discotecagem,
seja na figura do querido Marcello Kaskadura, brother de milianos e que eu
tenho a certeza que será por todo o sempre, que além de ser meu parceiro de
banda ( tocamos juntos no Cannibal Coffee) , fez todos os corres possíveis
pro evento rolar, e acima de tudo seja pelas bandas todas que prestigiaram o rolê e
tocaram com puta vontade e atitude, além do grande Rogério Art Till Death que
gentilmente atravessou a cidade com seu gps e foi expor os belos trampos dele
pra galera, tudo só veio reafirmar minhas convicções acerca do faça você mesmo.
| Banquinha de materiais alternativos nunca pode faltar |
O evento começou com Thaide e DJ Hum nas pick ups e depois
veio o Punk clássico do 90 Em Chamas no palco que iniciou as apresentações da tarde com
seu som cheio de energia e vibração. Foda ver o Jonas Tarota na ativa, desta
vez, mandando ver nas baquetas. A banda toda é foda e eles estão fazendo um
trabalho de muita responsa.
| 90 em chamas |
Depois de mais sons inusitados foi a vez da Kick To Hell
fazer seu debut. Fudido tocar com meus amigos, e seremos sempre gratos pela
força do Diego (Atos de Vingança, Cannibal Coffee e outras zilhões de bandas
que não irei lembrar) que emprestou o baixo e a guitarra, e ao Marcello que deu
suporte na batera. Infelizmente roubaram os instrumentos da banda dias atrás e
talvez nem tocaríamos. Valeu de coração por tudo.
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| Kick To Hell |
O show do Kick To Hell foi
ainda mais rápido do que o costume, deve ter sido a adrenalina hahahahha.
Tocamos os 5 sons da nossa demo, abrindo com Kamikaze Suicida, música que provavelmente
seja regravada em uma nova versão de 15 segundos para um projeto desenvolvido
pelo guitarra da banda, Douglas. Em breve falarei mais a respeito deste projeto
que se trata de uma coletânea com sons de 15 segundos.
![]() |
| Vingança Cannibal To Hell |
Claro que algumas vezes, algo atrasa e não sai como
planejamos, isso é da vida. Como o pessoal de uma das bandas ainda não tinha
chegado em sua totalidade, de última hora para preencher o vazio, rolou uma jam
session entre membros do Cannibal Coffee, Atos de Vingança e Kick To Hell e foi
formada a quadrilha (na verdade trio) Vingança Cannibal To Hell, com Kaskadura esmurrando
a batera, Diego vomitando os vocais e tocando o terror na guita e Luis sangrando os dedos no baixo. Insano!
Na sequência rolou a discotecagem grunjona e hc na veia da
Carol, mandou bem com Nirvana, Dead Kennedys no talo e muito mais.
| Hollowood |
Serviu para
aquecer a apresentação seguinte: Hollowood! Bem legal o som dos caras, já tinha
uma galerinha lá pra ver os meninos que fizeram um som que me lembrou umas
nuances emo old school quando era legal falar que algo era emo. Eu odeio
rotular as coisas, então pense na palavra rock e tá tudo certo.
| Shimbaus Trio |
Chega a vez do Shimbaus Trio, de Diadema pro mundo,cara! O som
deles é bem antenado, mas isso não quer dizer que eles se importem com tendências
ou algo assim. Pelo menos eu senti que eles tocam com sinceridade e coração, e
fazem um som de muita qualidade e sentimento. Rolou um cover de Noção de Nada
no set dos caras!
| Lord Groselhator |
O clima começou a pesar (no bom sentido! ) quando o Lord
Groselhator começou tocar o terror em forma de metal, black, grind ou sei lá o
que hahahah . Porra, fantástico! achei sensacional este projeto que reúne um
pessoal da velha guarda, como o Maxx Soto, com quem já tive o prazer de dividir
o palco nos anos 90 quando ele tocava no Toy Confusion. Rápido, bruto e pesadão
pra acordar até defunto. Puta show.
| Doppelgangers |
Doppelgangers é outra puta banda! Senti a pegada Cap N’ Jazz
desde o início, e o público se divertiu pra caralho com eles. Um detalhe que eu
achei interessante no decorrer do evento, mas que num primeiro momento confesso
que não simpatizei, foi o fato da apresentação das bandas ocorrer exatamente
dentro da sala do estúdio. Na verdade, não influi em nada, e eu particularmente
achei ainda mais legal. A porta tava aberta, então era só entrar fi! E o
pessoal curtir face a face com os Doppelgangers! Valeu Marcelo e a banda toda,
super simpáticos e compreensivos com lance de horário e tudo mais. Final
fugaziano foi épico!
| We Are Piano |
Chega o We Are Piano com seus milhares de pedais e
acompanhados de 50 mil manos, fazendo a alegria de todos os presentes no CIAM.
O barato foi louco e fiquei muito empolgado com a energia dos guris e a vibe da galera, showzão!
| Blues DrivE Monster |
Acompanhei apenas um trecho da banda seguinte,mas foi o bastante para sacar o motivo do sucesso do Blues Drive
Monster, que fechou o bang com chave de ouro, com todo mundo dançando, pulando,
sorrindo e mostrando que 2, 3, 4, 10 corpos ocupam o mesmo espaço sim, e
mandando ver num rock visceral e de qualidade, como todas as bandas presentes.
| Galera no rolê |
Independente do estilo de som, quebrada que cada um vinha,
foi tudo na paz, deu tudo certo. Tive um retorno muito positivo, das bandas,
do pessoal que veio falar comigo sobre futuros projetos, enfim, vislumbrei sem
grandes expectativas este evento antes de colocar em prática e tive um retorno
sensacional. Éo melhor tipo de retorno que você pode ter quando faz algo puramente
por ideologia e vontade de movimentar algo, misturar pessoas diferentes, entrar
em contato com outras realidades. Este retorno é a sensação de que tudo deu
certo. Espero não parar por aqui e fazer sempre melhor, pra que tudo sempre
role na vibe da positividade e confraternização.
Obrigado bandas, CIAM, Marcello Kaskadura, bandas que não
puderam tocar, pessoas que foram, pessoas que não foram mas ajudaram, Diego
Atos (gratidão enorme mano), Jonas que fez o corre dos CDs, bandas, amigos das
bandas, quem colou e não conheço, meus amigos e amigas que foram lá e andaram
40 minutos a pé, caraio, só quem é ein Iane?
Com carinho, valeu mesmo.
Luis Coffee
terça-feira, 14 de maio de 2013
SAIU! MEUS AMIGOS BEBEM MUITO CAFÉ VOLUME 4!!!
Finalmente tenho a honra de realizar a quarta edição da coletânea mais cafeinada do underground brasileiro.
Muita coisa bacana rolando em diversas partes deste país imenso, isso é foda.
Quero agradecer todas as bandas que participaram do projeto, as bandas e pessoas que manifestaram o desejo de realizar eventos de lançamento da coleta em cidades diversas, as bandas que tocarão no evento do dia 08/06 que rolará no CIAM ( todas infos neste link http://www.facebook.com/events/531270996931913/)
ao Jonas ( 90 em chamas), Dimas (CIAM), Marcello Kaskadura (Subexistência- Cannibal Coffee- Atos de Vingança- Crônicas Marcianas- Sebo Última Quimera) Heder Honorio ( The Book Zine - Cannibal Coffee) e todos que ajudaram de qualquer forma.
O set list é o seguinte:
Valeu a força, forte e grande somos nós.
Abraços, Luís Perossi
Baixe no link: http://www.mediafire.com/?5zk1izz0alnd9lh
Muita coisa bacana rolando em diversas partes deste país imenso, isso é foda.
Quero agradecer todas as bandas que participaram do projeto, as bandas e pessoas que manifestaram o desejo de realizar eventos de lançamento da coleta em cidades diversas, as bandas que tocarão no evento do dia 08/06 que rolará no CIAM ( todas infos neste link http://www.facebook.com/events/531270996931913/)
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| flyer do evento |
ao Jonas ( 90 em chamas), Dimas (CIAM), Marcello Kaskadura (Subexistência- Cannibal Coffee- Atos de Vingança- Crônicas Marcianas- Sebo Última Quimera) Heder Honorio ( The Book Zine - Cannibal Coffee) e todos que ajudaram de qualquer forma.
O set list é o seguinte:
1-
DOPPELGANGERS- Veggie Ham on Rye
2-
MENOS 3 – Nascido nisso
3-
CANNIBAL COFFEE- Nietzsheria
4-
KICK TO HELL- Kamikaze suicida
5-
MAD BADS – Six Pack
6-
SAMERLI- cine favela
7-
HOLLOWOOD
- Bordeaux Waltz
8-
CHACAL- contramão
9-
LA BURCA- kid kid kid
10-
SAD GIRLS POR VIDA – Talita e o pé de moça
11-
TOPSTURVY- Trash
12-
Banda C.I.A- Vou te dizer aqui
13-
ANGRY – only eyes
14-
ELEVEN STRINGS- not the only one
15-
POLLUX E CASTOR- centopéia
16-
BLUES DRIVE MONSTER- the universe
17-
90 EM CHAMAS- o povo nas ruas
18-
MANO ROBSON- cotidiano das ruas
19-
JACK’S REVENGE- cartas marcadas
20- AUTOBONECO+< - LESS LOVE, MORE CARE
21-
SHIMBAUS TRIO- Castanhos
22-
WE ARE PIANO – Cemetery guns
23-
MIND MOVIES – ainda não começou
24-
GARRAFA VAZIA – A Vida É Muito Bela
25-
LADO LESTE ALERTA- S.S.N
26-
GI LUERSEN – Brilha, Brilhava
27-
THE COFFEE MAKERS IS INTA HOUSE- fumaças de cigarros
28-
EXREBANHO – base (demo)
29-
LINGUA NEGRA- Ânsia
30-
SURFACE - Outro engano
31-
RESTOS DE
ABORTO – Sonho Revolução
32-
PROTESTANTES HC – denuncie
33-
DORA – velha nova rotina
34-
CAPÂNEO - Corja de Ventríloquos
35-
JAMES RICOTSKI – GirlNextDoorIsSoFuckinHot
36-
NEGATIVE CONTROL – seja bem vindo
37-
LORD GROSELHATOR -Mankind's slaughterhouse
38-
ARTIGO DZ9- Despertar
Valeu a força, forte e grande somos nós.
Abraços, Luís Perossi
Baixe no link: http://www.mediafire.com/?5zk1izz0alnd9lh
![]() |
| arte feita pelo marcello kaskadura, imprima e monte o seu cd! = ) |
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sábado, 23 de fevereiro de 2013
COLETÂNEA MEUS AMIGOS BEBEM MUITO CAFÉ VOLUME 4!!!
Salve galerinha do mal. Vez por outra o fanzine "Meus Amigos Bebem Muito Café" entra em campo para recrutar moças e rapazes que desenvolvam melodias próprias, independente de estilo, para somar na nossa Coleta que traça um panorama bem eclético do que rola de som em nosso udigrudi. Depois de um hiato, 2013 já começa com a edição #4.
Se você faz um som com violão, orquestra sinfônica, batuque,espancando gaiola, no gênero rock, mambo ou qualquer outra manifestação dita musical, é só se jogar. Pra quem conhece, as regras são as mesmas. Para quem não saca ou quer relembrar, se liga no passo a passo:
1- Reúna o seguinte material: música em mp3, uma foto da banda, um e-mail para contato e um release.
IMPORTANTE: A MUSICA DEVE VIR NO FORMATO: NOME DA BANDA -NOME DA CANÇÃO.
2- Juntou tudo? Envie para blackflagladoleste@gmail.com. No assunto coloque: COLETÂNEA VOL 4.
3- Aguarde nosso retornex! = )
TEM QUE PAGAR ALGO? NÃO
A COLETÂNEA É FÍSICA? NÃO, será disponibilizada de maneira virtual, sendo possível que cada banda por sua conta, reproduza a capinha com um cd-r.
Esta iniciativa visa o intercâmbio das bandas e a chance de descobrirmos coisas legais que pipocam por toda parte do underground. Há ainda a possibilidade da sua banda ser entrevistada aqui no blog e sair no fanzine impresso depois.
Seguem os links das edições anteriores pra baixar:
V/A MEUS AMIGOS BEBEM MUITO CAFÉ VOL1:http://www.4shared.com/rar/HO8-YPhv/coletnea_meus_amigos_bebem_mui.html
V/A MEUS AMIGOS BEBEM MUITO CAFÉ VOL2 http://www.4shared.com/rar/g5D741Aq/coletanea_fanzine_meus_amigos_.html?
V/A MEUS AMIGOS BEBEM MUITO CAFÉ VOL3 http://www.mediafire.com/?1xolr8qg8a8nnya
Agora é com vocês! Abraços!
Se você faz um som com violão, orquestra sinfônica, batuque,espancando gaiola, no gênero rock, mambo ou qualquer outra manifestação dita musical, é só se jogar. Pra quem conhece, as regras são as mesmas. Para quem não saca ou quer relembrar, se liga no passo a passo:
1- Reúna o seguinte material: música em mp3, uma foto da banda, um e-mail para contato e um release.
IMPORTANTE: A MUSICA DEVE VIR NO FORMATO: NOME DA BANDA -NOME DA CANÇÃO.
2- Juntou tudo? Envie para blackflagladoleste@gmail.com. No assunto coloque: COLETÂNEA VOL 4.
3- Aguarde nosso retornex! = )
TEM QUE PAGAR ALGO? NÃO
A COLETÂNEA É FÍSICA? NÃO, será disponibilizada de maneira virtual, sendo possível que cada banda por sua conta, reproduza a capinha com um cd-r.
Esta iniciativa visa o intercâmbio das bandas e a chance de descobrirmos coisas legais que pipocam por toda parte do underground. Há ainda a possibilidade da sua banda ser entrevistada aqui no blog e sair no fanzine impresso depois.
Seguem os links das edições anteriores pra baixar:
V/A MEUS AMIGOS BEBEM MUITO CAFÉ VOL1:http://www.4shared.com/rar/HO8-YPhv/coletnea_meus_amigos_bebem_mui.html
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
SAPO BANJO NO BREAKOUT BRASIL!
Você já ouviu falar do Breakout Brasil? é um programa do canal Sony Spin que está em busca de novos talentos! Apresentado pela lenda underground Edu K ( de falla) , tive a notícia que entre os inscritos no concurso, está a clássica banda de ska Sapo Banjo!
Se você pegou aquela cena neo-ska com hardcore dos anos 90, pulou muito skarnaval no hangar 110 e colava nos shows na pista de skate de São Bernardo, sabe do que tô falando. Uma das bandas mais bacanas que surgiu naquela época, e que se mantém na ativa com muita integridade e o principal elemento, diversão, até hoje!
Quem quiser votar nos caras e dar uma força, faça isso pelo link: http://www.breakoutbrasil.com/breakoutBrasil/entry/SAPO-BANJO.
Você pode baixar a discografia neste link: http://www.sapobanjo.com/2011/06/albuns-para-baixar.html
Deixo aqui um dos clássicos dos caras, pra você conhecer ou matar saudade!
Se você pegou aquela cena neo-ska com hardcore dos anos 90, pulou muito skarnaval no hangar 110 e colava nos shows na pista de skate de São Bernardo, sabe do que tô falando. Uma das bandas mais bacanas que surgiu naquela época, e que se mantém na ativa com muita integridade e o principal elemento, diversão, até hoje!
Quem quiser votar nos caras e dar uma força, faça isso pelo link: http://www.breakoutbrasil.com/breakoutBrasil/entry/SAPO-BANJO.
Você pode baixar a discografia neste link: http://www.sapobanjo.com/2011/06/albuns-para-baixar.html
Deixo aqui um dos clássicos dos caras, pra você conhecer ou matar saudade!
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terça-feira, 11 de setembro de 2012
Entrevista com Nenê Altro do Dance of Days e Teenager in a box
Desde que comecei a fazer fanzines lá pelos idos dos anos 90, sempre tive vontade de entrevistar e trocar uma ideia para publicar em zines com duas pessoas. Uma foi o Redson do Cólera, até tentei por carta na época, mas acho que sequer chegou até ele.A Outra é o Nenê. Segue na íntegra histórias curiosas como a treta da turnê gringa do Sick terror, o futuro do Dance of Days e curiosidades que só quem está há tanto tempo na estrada e tem bagagem do que é a essência do faça você mesmo pode compartilhar.
2 - Você acha que as coisas mudaram desde essa época do “História” até hoje, nesse sentido?
Nenê Altro – Às vezes acho que está melhor, às vezes acho que pior... está uma fase bem estranha. Em 2001 o link com o punk, com a essência da coisa toda, era muito forte... A galera fazia música pra se expressar, independente do estilo, independente de sua música ser influenciada por Conflict ou por Mineral, o importante era por pra fora as coisas que gritavam no peito. Hoje tem isso ainda, mas acho que tem dois fatores bem perigosos, um que, por um lado, muita gente que está no meio não faz nem ideia de como a coisa começou, não quer nada além de sucesso a qualquer custo e essas coisas, e o outro que existe uma tolerância com a burrice e a ignorância que deixa cada vez mais atitudes preconceituosas, homofóbicas, nacionalistas e religiosas passarem batido, pois “agora as coisas são assim”. Não gosto disso, não foi com isso que me envolvi e luto para mostrar que a gente não faz parte dessa merda aí, que temos sim posturas claras e que fazemos parte do punk, da cultura combatente que nos levou a montar uma banda, antes mesmo de estarmos juntos no Dance of Days.
6–Você citou o Sick Terror, não poderia deixar de perguntar, conte como foi essa experiência de “cadeia na Finlândia” em tour com a banda rsrsrs
Nenê Altro –Há exatos 10 anos atrás,em 2002, eu e o Marcelo Verardi estávamos em tour pela Finlândia com nossa antiga banda, o Sick Terror, fazendo alguns shows com o RIISTETYT. Estávamos em um grande mercado e o Verardi não falava uma palavra sequer de inglês. Lá, nessa época, já tinha muito essa cultura que hoje é comum aqui, de cards gratuitos de papel por todos os lugares, com datas de show, lançamentos de discos e etc. Mas na época, pra gente, era bem novidade. E o Marcelo acabou pegando uns postais dentro desse hipermercado achando que também eram “free”. Em menos de 2 minutos eu escuto ele chamar em português e vejo ele ser arrastado por dois brutamontes. É claro que, diferente do resto da galera que saiu rapidamente do mercado e passou a noite bebendo na discoteca, eu não ia deixar meu amigo pra trás. Cheguei lá dizendo que ia traduzir ele pra ajudar e ficamos numa sala com um guarda cheio de tattoos nazis que toda vez que estava sozinho com a gente falava um monte de merda contra latinos. Assim que a delegada chegou, dissemos que estávamos lá apenas para fazer alguns shows. Ela pediu o nome de um responsável e dissemos o nome do saudoso Nappi do Riistetyt e ela respondeu “- Isso não é nome de gente, é de cachorro!” rsrsrs No final ela conseguiu falar com alguém do clube onde iríamos tocar para verificar a história, mas estava tarde demais pra liberar a gente, pois o oficial já havia ido embora para casa. Eu fui me despedir do Marcelo dizendo que ia ficar na delegacia esperando por ele até ele ser solto e a delegada me disse “- Espere um momento, quanto dinheiro você tem no bolso?”. Eu, punk, sem tomar banho há alguns dias e em tour pela europa, achei que estava cheio da grana e disse, “- Ah, tenho bastante até, uns 50 euros”hahahaha E ela disse, “-Você não tem dinheiro suficiente para ficar na Finlândia” e mandou os guardas removerem a mim e ao Marcelo. Passamos a noite numa cadeia, em celas separadas, sem ninguém falar uma palavra em inglês com a gente e sendo acordados de meia em meia hora. Logo pela manhã o Perttu do Riistetyt apareceu bêbado pra buscar a gente e disse que chamaram o oficial pelo auto-falante que havia um “jovem cheirando a Búfalo” que queria soltar os brasileiros. Assinamos os papéis e fomos fichados, o Marcelo como ladrão e eu como indigente. No final da tour o camburão da polícia foi nos buscar no local combinado e nos levou para Helsinki pra garantir mesmo que iríamos entrar no avião rsrsrs É legal mencionar que nessa tour o RIISTETERROR (banda que era metade Sick Terror metade Riistetyt) se reuniu pela última vez em Tampere para gravar o ep ASEMA Z e que originalmente esse epse chamaria POSTIKORTTI HARDCORE, ou seja “cartão postal hardcore” devido ao incidente do mercado hahaha. Nesse epque gravamos contamos com a participação do lendário Jakke, vocalista do KAAOS, cantando na música Sota OnTulossa (cover do próprio Kaaos), que acabou sendo seu último registro em vida.
11 - E por falar em fãs, sua vida pessoal sempre foi exposta, aberta, e vi nos últimos anos pela net que muita gente te criticou por mudar essa postura, por querer ter uma vida mais reservada, e disseram que isso não deveria mudar suas atitudes “como músico”. O que pensa disso?
Nenê Altro –Quem acha que minha vida pessoal não vai mudar minhas atitudes no Dance of Days jamais entendeu a proposta da banda. Não somos uma banda profissional. Somos amigos querendo se divertir e eu, desde o começo, uso a banda como forma PESSOAL de expressão. As pessoas dão mancada comigo, falam mal das minhas coisas por aí, me xingam em comunidades e esperam que eu tenha “atitudes profissionais como músico” com elas. Estas realmente nunca entenderam ou sequer fizeram parte de tudo isso que essa conexão significa. Nunca fomos profissionais, nunca seremos profissionais, somos vivos e somos gente, carne, osso e sentimentos, e tudo o que somos é o que move a nossa arte.
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| Dance of Days, época de "a história não tem fim" |
1 – O Dance of Days sempre
foi uma banda que falou de visões
pessoais e políticas, mas, ainda assim, muita gente teve e tem preconceito com o
trabalho de vocês. Ao que você acha que isso se deve?
Nenê
Altro –Em
2001 lançamos um disco em português, nadando contra toda a corrente de 90% das
bandas de nossa geração. O disco abria com uma música contra homofobia chamada Se Essas Paredes Falassem e vendeu
18.000 cópias defendendo “um outro lugar
onde marte ama marte e vênus possa passear de mãos dadas com vênus”. Esse
foi um choque numa cena que, por mais que se afirmasse “moderna” ainda tinha muito de moralista e, principalmente,
homofóbica. E nós abraçamos essa luta colocando a cara pra bater, de que a
pessoa não tem que ser homossexual pra ser contra a homofobia, que pode ser
branca e ser contra o racismo, que a luta contra o preconceito era e é uma luta
de todos. E pensamos isso até hoje. Mas isso, na época, gerou o estigma entre a
galera que se sentiu ofendida com essa postura. Mas enfrentamos. Sempre
enfrentamos. Só com o “História” foram
18.000 cópias não só contra homofobia, mas falando de ateísmo (Vinde a Mim),
contra a luta partidária (Corvos do Paraíso), contra a opressão do sistema de
trabalho (Carro Bomba) e celebrando a vida, o amor e os bons sentimentos
humanos. A verdade é que o pessoal aqui
sempre foi muito cabeça fechada, tanto que dezenas de bandas de rock ogro
continuam a fazer a cabeça da molecada e a galera “acha o maior barato”. O povo daqui também não entendeu a “fase The Damned” da banda em 2005, com
o Lírios Aos Anjos, acho que tudo isso gerou essa coisa toda idiota do
preconceito com a banda.2 - Você acha que as coisas mudaram desde essa época do “História” até hoje, nesse sentido?
Nenê Altro – Às vezes acho que está melhor, às vezes acho que pior... está uma fase bem estranha. Em 2001 o link com o punk, com a essência da coisa toda, era muito forte... A galera fazia música pra se expressar, independente do estilo, independente de sua música ser influenciada por Conflict ou por Mineral, o importante era por pra fora as coisas que gritavam no peito. Hoje tem isso ainda, mas acho que tem dois fatores bem perigosos, um que, por um lado, muita gente que está no meio não faz nem ideia de como a coisa começou, não quer nada além de sucesso a qualquer custo e essas coisas, e o outro que existe uma tolerância com a burrice e a ignorância que deixa cada vez mais atitudes preconceituosas, homofóbicas, nacionalistas e religiosas passarem batido, pois “agora as coisas são assim”. Não gosto disso, não foi com isso que me envolvi e luto para mostrar que a gente não faz parte dessa merda aí, que temos sim posturas claras e que fazemos parte do punk, da cultura combatente que nos levou a montar uma banda, antes mesmo de estarmos juntos no Dance of Days.
3 - Você citou essa
“fase The Damned” de 2005, do Lírios Aos Anjos. Porque você acha que ela foi
tão mal compreendida?
Nenê Altro – Nessa mesma época o “emo” estava estourando por aqui, não a coisa que acompanhamos no início do Dance of Days em 1996 com o Revolution Summer de Washington dos anos 80 e muito menos a cena que veio na nossa época com a JadeTree, a Initial, a Doghouse, mas a das bandas estereotipadas de franja que infestaram as rádios brasileiras em 2004-2005, dessa cena do olho pintado, do Good Charlotte e essa parada toda aí que se convencionou chamar de “emocore” por aqui.E por mais que eu usasse só as camisetas das bandas góticas que eu mais amava desde a adolescência (é só olhar o encarte do Valsa!), do Bauhaus, do Neubauten, do Sisters, ou todas as camisetas do The Cult que eu tinha no armário, se as pessoas não tinham o link com o punk, imagine com o pós punk! Elas sequer sabiam quem era Ian Astbury!E a geração mais velha, que sabia, não se misturava com essa nova. Então acabaram achando que era tudo a mesma coisa. Chegou uma hora que cansamos de explicar e mandamos todos à merda. Sempre soubemos o que fazíamos e até hoje sabemos o que somos, isso é o que mais importa.
Nenê Altro – Nessa mesma época o “emo” estava estourando por aqui, não a coisa que acompanhamos no início do Dance of Days em 1996 com o Revolution Summer de Washington dos anos 80 e muito menos a cena que veio na nossa época com a JadeTree, a Initial, a Doghouse, mas a das bandas estereotipadas de franja que infestaram as rádios brasileiras em 2004-2005, dessa cena do olho pintado, do Good Charlotte e essa parada toda aí que se convencionou chamar de “emocore” por aqui.E por mais que eu usasse só as camisetas das bandas góticas que eu mais amava desde a adolescência (é só olhar o encarte do Valsa!), do Bauhaus, do Neubauten, do Sisters, ou todas as camisetas do The Cult que eu tinha no armário, se as pessoas não tinham o link com o punk, imagine com o pós punk! Elas sequer sabiam quem era Ian Astbury!E a geração mais velha, que sabia, não se misturava com essa nova. Então acabaram achando que era tudo a mesma coisa. Chegou uma hora que cansamos de explicar e mandamos todos à merda. Sempre soubemos o que fazíamos e até hoje sabemos o que somos, isso é o que mais importa.
4 - Nenê, lembro do
seu projeto Awkward. Fui num show que era na Rua Pamplona, junto com
Dominatrix, Paura e outras bandas. Não sabia quem era você, mal tinha ouvido
falar de Personal Choice , porém lembro de todos falando “é a banda nova do Nenê
Altro”. Devia ser 1997, 98... Não sei ao certo... Aquele show me marcou, porque
via que vocês erravam quase todas as músicas, e eu achava aquilo incrível! Você
lembra desse dia? O que o Awkward significou pra você e o que ficou de legado
da banda?
Nenê Altro –Lembro
sim, foi em 31 de Janeiro de 1999. Acho que foi nosso primeiro show, com
Dominatrix, Paura, Sight For Sore Eyes e Extremo. Na verdade não era que
errávamos tudo, era que estávamos bem indecisos quanto a sequência das músicas e
nervosos por ser o primeiro show rsrsrs Enfim, se você
pegar as músicas ao vivo que estão no fim daquele cd 1997/1998 do Dance of
Days, você consegue entender a praia que eu estava quando o Dance deu aquele
break e eu formei o Awkward com essa galera. Gostávamos de Elliot, Texas Is The
Reason, Mineral... Foi uma banda muito boa, e era um momento muito mágico na
cena hardcore, onde todo mundo estava descobrindo novas bandas e cenas. Muita
gente que estava nesse show da Pamplona formou bandas depois, como Out of
Season e Anyone. Bandas que foram muito boas e presentes na época... Estou
tentando forçar a cabeça aqui, mas acho que a história foi a seguinte, com o
break do Dance of Days eu formei o Bastard In Love, com a galera que era do
Default e do Pudding Lane. Quando o Bastard In Love acabou, eu montei o Awkward
com o guitarra do Bastard In Love e a galera que vinha do Landscape, Extremo e
Supermarket e o restante do Bastard In Love montou o Hurtmold, que está aí até
hoje. O Bastard In Love chegou a gravar bastante coisa, tínhamos uma demo, duas
músicas na coletânea “Something. Nothing. Everything.” (inclusive uma chamada
Crutch que alguns anos depois virou “Muletas” no Sick Terror), uma faixa no
Tributo Ao Olho Seco lançado aqui em cd pela Red Star e lá fora em LP pela
HöhNIE Records e um split ep em vinil lançado nos EUA pela Moo Cow Records, com
a banda Cameran.
Do Awkward, infelizmente, só ficou registrada a música Candle
Light Tears (que falava sobre os desaparecidos políticos da ditadura) na
coletânea “The FireBeneath The Machine”, que eu lancei pela Teenager In a Box,
que também tinha At The Drive-In, Silver Scooter, SevenStorey Mountain e uma
porção de bandas que faziam parte da mesma cena e que se correspondiam na época
via carta. Com o fim do Awkward eu formei o Sick Terror e, logo na sequência,
voltei com o Dance of Days, já com o embrião da formação que está até hoje. No
Sick Terror fiquei até 2004, em paralelo com o Dance. É mais ou menos isso aí
rsrsrs
(obs: o show que citei, que eu estava presente, está disponível no youtube, incrível rever isso!!!!)
5 - Ainda falando de
suas outras bandas, vi também o Nenê Altro & O Mal de Caim pouco antes da
banda acabar, no projeto Rock na Vitrine, lá na Galeria Olido, idealizado pelo
Luiz Calanca da seminal loja Baratos e Afins. Aquele foi o último show? Há
intenção de voltar com a banda ou você nem pensa nisso?
Nenê
Altro –Acho
que teve mais um show depois disso, na Livraria Da Esquina... Bom, o Mal foi
uma banda que gostei muito do início ao fim, que tocou muito, que lançou um cd
bem legal de death rock (EuremaElathea), e que ia lançar um dos cds que mais
fazem falta em minha discografia pessoal, pois representava musicalmente todo
fim do ciclo de vida que detalhei em meu segundo livro, “O Diabo Sempre Vem Pra Mais Um Drink”, que, aliás, seria também o
nome do disco do Mal (a ideia era lançar na mesma época).
A Pisces ainda pensa em lançar esse cd, o que
eu ia achar bem legal pra não ficar com essa lacuna na minha carreira, mas
voltar com a banda não rola, pois as coisas dizem o que tem que dizer na época
que gritam em seu peito, e não faz mais sentido pra mim cantar tanta tristeza.
Os caras seguiram com suas bandas e eu segui com as minhas, cada um com suas
histórias e conquistas. Poderia ter sido uma história bem maior, mas o momento
se perdeu...
6–Você citou o Sick Terror, não poderia deixar de perguntar, conte como foi essa experiência de “cadeia na Finlândia” em tour com a banda rsrsrs
Nenê Altro –Há exatos 10 anos atrás,em 2002, eu e o Marcelo Verardi estávamos em tour pela Finlândia com nossa antiga banda, o Sick Terror, fazendo alguns shows com o RIISTETYT. Estávamos em um grande mercado e o Verardi não falava uma palavra sequer de inglês. Lá, nessa época, já tinha muito essa cultura que hoje é comum aqui, de cards gratuitos de papel por todos os lugares, com datas de show, lançamentos de discos e etc. Mas na época, pra gente, era bem novidade. E o Marcelo acabou pegando uns postais dentro desse hipermercado achando que também eram “free”. Em menos de 2 minutos eu escuto ele chamar em português e vejo ele ser arrastado por dois brutamontes. É claro que, diferente do resto da galera que saiu rapidamente do mercado e passou a noite bebendo na discoteca, eu não ia deixar meu amigo pra trás. Cheguei lá dizendo que ia traduzir ele pra ajudar e ficamos numa sala com um guarda cheio de tattoos nazis que toda vez que estava sozinho com a gente falava um monte de merda contra latinos. Assim que a delegada chegou, dissemos que estávamos lá apenas para fazer alguns shows. Ela pediu o nome de um responsável e dissemos o nome do saudoso Nappi do Riistetyt e ela respondeu “- Isso não é nome de gente, é de cachorro!” rsrsrs No final ela conseguiu falar com alguém do clube onde iríamos tocar para verificar a história, mas estava tarde demais pra liberar a gente, pois o oficial já havia ido embora para casa. Eu fui me despedir do Marcelo dizendo que ia ficar na delegacia esperando por ele até ele ser solto e a delegada me disse “- Espere um momento, quanto dinheiro você tem no bolso?”. Eu, punk, sem tomar banho há alguns dias e em tour pela europa, achei que estava cheio da grana e disse, “- Ah, tenho bastante até, uns 50 euros”hahahaha E ela disse, “-Você não tem dinheiro suficiente para ficar na Finlândia” e mandou os guardas removerem a mim e ao Marcelo. Passamos a noite numa cadeia, em celas separadas, sem ninguém falar uma palavra em inglês com a gente e sendo acordados de meia em meia hora. Logo pela manhã o Perttu do Riistetyt apareceu bêbado pra buscar a gente e disse que chamaram o oficial pelo auto-falante que havia um “jovem cheirando a Búfalo” que queria soltar os brasileiros. Assinamos os papéis e fomos fichados, o Marcelo como ladrão e eu como indigente. No final da tour o camburão da polícia foi nos buscar no local combinado e nos levou para Helsinki pra garantir mesmo que iríamos entrar no avião rsrsrs É legal mencionar que nessa tour o RIISTETERROR (banda que era metade Sick Terror metade Riistetyt) se reuniu pela última vez em Tampere para gravar o ep ASEMA Z e que originalmente esse epse chamaria POSTIKORTTI HARDCORE, ou seja “cartão postal hardcore” devido ao incidente do mercado hahaha. Nesse epque gravamos contamos com a participação do lendário Jakke, vocalista do KAAOS, cantando na música Sota OnTulossa (cover do próprio Kaaos), que acabou sendo seu último registro em vida.
7 – E quanto ao Dance
of Days? Agora com a saída do Tyello da banda, como as coisas vão ficar? Quais
os próximos passos?
Nenê Altro – O Tyello fez e sempre fará parte da história da banda, pois esteve 12 anos no Dance of Days. E a saída foi uma opção dele, que já estava cansado das coisas da estrada e quis se dedicar mais a seu estúdio. Respeitamos seu desejo e continuamos amigos. Decidimos continuar em 4 pessoas, seguindo a linha que sempre seguimos, de bandas como Avail, Ramones, 7 Seconds, Descendents, que sempre foram baixo, guitarra, bateria e vocal, e estamos felizes com isso. Os shows tem sido bons, fortes, e acho que essa atitude de mantermos a banda como está teve mais a ver com nossa história e proposta do que colocar um elemento a mais que, acima de se entrosar com a música teria que ter um entrosamento pessoal “do nada” com a gente que jamais conseguiria ter, pois nossa amizade ultrapassa uma década. E os fãs da banda curtiram muito isso, termos ficado só nós quatro. Agora vamos preparar um disco novo, sem pressa, mas com a ideia de sair no primeiro semestre de 2013. E vamos ficar na estrada, cada vez mais, pois não vivemos sem isso.
8 - Pela sua trajetória de vida no meio punk-underground, dá pra perceber nitidamente que você é um profundo incentivador da cultura de fanzines, não só incentivador, como também faz palestras sobre o tema e edita o Pest Zine com 5000 cópias distribuídas gratuitamente, o que contraria a ideia daqueles que diziam que com a massificação da internet os zines impressos morreriam... Porque, nos dias de hoje, em épocas de facebook e twitter, você ainda defende essa bandeira?
Nenê Altro –Eu parto do princípio que cada zine é uma obra de arte, uma forma autêntica de expressão. É muito diferente uma pessoa escrever um bom artigo em um blog ou um post bem elaborado em uma rede social do ato de ela parar, colocar tudo de si em uma folha de papel, recortar, colar, montar sua expressão com as próprias mãos, com a sua personalidade, xerocar e passar adiante. Um zine chega em suas mãos como uma boa música, como um bom filme. Eu não sou contra a internet e os blogs, como muitos erroneamente me interpretaram, só acho que uma coisa é ser e ter um instrumento de comunicação ágil e rápido e outra é fazer arte. E essa arte pode ser pessoal, política, poética... E, o mais importante, não tem censura. O que eu sou contra é as pessoas falarem que o zine evoluiu para a internet e que é coisa “ultrapassada”, “dos anos 80 e 90”, que “agora não tem sentido”. Sou contra essa postura, pois zine para mim é e sempre será uma expressão artística e dizer algo assim seria o mesmo que dizer que “pintar quadros não faz sentido” agora que temos a fotografia digital e o Photoshop. Sou um amante das artes como forma de expressão, pois nelas eu vejo o humano do ser que caminha sobre esse planeta. E se eu não acreditasse na força viva que traz brilho aos olhos desse ser humano, toda minha luta por liberdade social não faria sentido algum.
9 - Falando em zines, me remeteu aos seus livros. De todos os livros que já li, seja de literatura dita “marginal” até medalhões da literatura mundial, eu realmente nunca consegui sentir tanta carga emotiva, confessional e pessoal em outros livros como senti nos seus escritos. Pra você, escrever, seja em livros ou letras para suas bandas, é uma espécie de “exorcismo”, de “por pra fora tudo o que grita no peito” ?
Nenê Altro –Sim, eu sempre digo que faço música e escrevo por necessidade biológica, porque meu corpo grita por isso. Acho que deve ser muito frustrante alguém escrever para “ser escritor”, tentar deixar palavras numa ordem “bonita” para “ser poeta” ou seguir um caminho determinado para “ser músico”. Eu não sou escritor, não sou poeta e muito menos músico. Minha profissão é de agitador cultural e organizador de eventos. Se um dia eu transformasse minha arte numa fórmula eu perderia a sensação libertadora que ela me traz, que é o que me mantém vivo e me permite respirar. Essa fase ruim que eu passei em minha vida... eu teria enlouquecido se não tivesse colocado pra fora nos Funerais do Coelho Branco, no Eurema Elathea, no 43 Segundos, no Lírios Aos Anjos. A música, a poesia, os desabafos, sempre foram minhas válvulas de escape. E não me interpretem mal, eu não sou contra escritores, poetas e músicos, apenas não sou nada disso. Sou só um garoto imbecil a se repetir rsrsrs
10 - Recentemente o CRASS mudou muito sua postura e chegou inclusive a remover as suas músicas de sites de download gratuito. Como você viu isso, sendo que é tão fã da banda?
Nenê
Altro –
Minha história com o CRASS data do final dos anos 80, época em que me envolvi
com o anarco-punk. 20 anos depois, em
2009, resolvi fazer a tattoo da banda no antebraço, pois, independente do que
os membros se tornaram hoje ou do rumo que seguiram em suas vidas individuais,
a atividade que tiveram nos anos gloriosos da banda foi uma influência
fundamental em minha vida. Não me arrependo, faria a tattoo novamente, pra mim
o CRASS fugiu ao controle do que os membros possam fazer ou deixar de fazer
após o final da banda, sua história é propriedade da própria história do punk e
é a isso que me marquei. Não concordo, é claro, com essas coisas que
aconteceram recentemente, mas, desde a entrevista que saiu na Vice deu pra ver
que a coisa já caminhava para esse lado. O que fica foi o que marcou na vida de
cada pessoa influenciada por seu trabalho original, os bons discos, as boas
atitudes e tudo o que foi irreversivelmente construído na vida das pessoas que
tiveram contato com essa essência. Acho que esse é o verdadeiro papel de fã
mesmo de um trabalho como esse, gostar da banda pelo que ela te oferece e não
esperar que seja mais do que é.Nenê Altro – O Tyello fez e sempre fará parte da história da banda, pois esteve 12 anos no Dance of Days. E a saída foi uma opção dele, que já estava cansado das coisas da estrada e quis se dedicar mais a seu estúdio. Respeitamos seu desejo e continuamos amigos. Decidimos continuar em 4 pessoas, seguindo a linha que sempre seguimos, de bandas como Avail, Ramones, 7 Seconds, Descendents, que sempre foram baixo, guitarra, bateria e vocal, e estamos felizes com isso. Os shows tem sido bons, fortes, e acho que essa atitude de mantermos a banda como está teve mais a ver com nossa história e proposta do que colocar um elemento a mais que, acima de se entrosar com a música teria que ter um entrosamento pessoal “do nada” com a gente que jamais conseguiria ter, pois nossa amizade ultrapassa uma década. E os fãs da banda curtiram muito isso, termos ficado só nós quatro. Agora vamos preparar um disco novo, sem pressa, mas com a ideia de sair no primeiro semestre de 2013. E vamos ficar na estrada, cada vez mais, pois não vivemos sem isso.
8 - Pela sua trajetória de vida no meio punk-underground, dá pra perceber nitidamente que você é um profundo incentivador da cultura de fanzines, não só incentivador, como também faz palestras sobre o tema e edita o Pest Zine com 5000 cópias distribuídas gratuitamente, o que contraria a ideia daqueles que diziam que com a massificação da internet os zines impressos morreriam... Porque, nos dias de hoje, em épocas de facebook e twitter, você ainda defende essa bandeira?
Nenê Altro –Eu parto do princípio que cada zine é uma obra de arte, uma forma autêntica de expressão. É muito diferente uma pessoa escrever um bom artigo em um blog ou um post bem elaborado em uma rede social do ato de ela parar, colocar tudo de si em uma folha de papel, recortar, colar, montar sua expressão com as próprias mãos, com a sua personalidade, xerocar e passar adiante. Um zine chega em suas mãos como uma boa música, como um bom filme. Eu não sou contra a internet e os blogs, como muitos erroneamente me interpretaram, só acho que uma coisa é ser e ter um instrumento de comunicação ágil e rápido e outra é fazer arte. E essa arte pode ser pessoal, política, poética... E, o mais importante, não tem censura. O que eu sou contra é as pessoas falarem que o zine evoluiu para a internet e que é coisa “ultrapassada”, “dos anos 80 e 90”, que “agora não tem sentido”. Sou contra essa postura, pois zine para mim é e sempre será uma expressão artística e dizer algo assim seria o mesmo que dizer que “pintar quadros não faz sentido” agora que temos a fotografia digital e o Photoshop. Sou um amante das artes como forma de expressão, pois nelas eu vejo o humano do ser que caminha sobre esse planeta. E se eu não acreditasse na força viva que traz brilho aos olhos desse ser humano, toda minha luta por liberdade social não faria sentido algum.
9 - Falando em zines, me remeteu aos seus livros. De todos os livros que já li, seja de literatura dita “marginal” até medalhões da literatura mundial, eu realmente nunca consegui sentir tanta carga emotiva, confessional e pessoal em outros livros como senti nos seus escritos. Pra você, escrever, seja em livros ou letras para suas bandas, é uma espécie de “exorcismo”, de “por pra fora tudo o que grita no peito” ?
Nenê Altro –Sim, eu sempre digo que faço música e escrevo por necessidade biológica, porque meu corpo grita por isso. Acho que deve ser muito frustrante alguém escrever para “ser escritor”, tentar deixar palavras numa ordem “bonita” para “ser poeta” ou seguir um caminho determinado para “ser músico”. Eu não sou escritor, não sou poeta e muito menos músico. Minha profissão é de agitador cultural e organizador de eventos. Se um dia eu transformasse minha arte numa fórmula eu perderia a sensação libertadora que ela me traz, que é o que me mantém vivo e me permite respirar. Essa fase ruim que eu passei em minha vida... eu teria enlouquecido se não tivesse colocado pra fora nos Funerais do Coelho Branco, no Eurema Elathea, no 43 Segundos, no Lírios Aos Anjos. A música, a poesia, os desabafos, sempre foram minhas válvulas de escape. E não me interpretem mal, eu não sou contra escritores, poetas e músicos, apenas não sou nada disso. Sou só um garoto imbecil a se repetir rsrsrs
10 - Recentemente o CRASS mudou muito sua postura e chegou inclusive a remover as suas músicas de sites de download gratuito. Como você viu isso, sendo que é tão fã da banda?
11 - E por falar em fãs, sua vida pessoal sempre foi exposta, aberta, e vi nos últimos anos pela net que muita gente te criticou por mudar essa postura, por querer ter uma vida mais reservada, e disseram que isso não deveria mudar suas atitudes “como músico”. O que pensa disso?
Nenê Altro –Quem acha que minha vida pessoal não vai mudar minhas atitudes no Dance of Days jamais entendeu a proposta da banda. Não somos uma banda profissional. Somos amigos querendo se divertir e eu, desde o começo, uso a banda como forma PESSOAL de expressão. As pessoas dão mancada comigo, falam mal das minhas coisas por aí, me xingam em comunidades e esperam que eu tenha “atitudes profissionais como músico” com elas. Estas realmente nunca entenderam ou sequer fizeram parte de tudo isso que essa conexão significa. Nunca fomos profissionais, nunca seremos profissionais, somos vivos e somos gente, carne, osso e sentimentos, e tudo o que somos é o que move a nossa arte.
12 - Acho que você já
deixou claro sua posição quanto a opiniões várias vezes, não só nas músicas
quanto nos livros rsrsrs
Nenê Altro –Exato. Se eu fosse mover meus dias de acordo com as opiniões das outras pessoas eu estava fodido! Ninguém JAMAIS está satisfeito com nada e, quando as pessoas te julgam por algo pode ter certeza que tem razões 100% pessoais para isso, ou seja, que te apontam o dedo movidos por suas próprias dificuldades em lidar com mudanças, por suas expectativas auto-sugeridas e etc. Eu vivo minha vida com sede, com sede de vida e essa sede só pode ser sanada por minha boca, não pela dos outros. Não sou artista, sou só alguém como todo mundo, que “gosta de falar e abraçar os amigos”, só tenho uma banda e, da mesma maneira que as pessoas gostam de minha banda eu gosto do 7 Secondsdesde moleque e nem por isso me importo com a vida pessoal do Kevin, só com a sensação boa e única que ouvir uma banda que fala com meu coração, um “walktogether rock together” bem alto, me traz.
13 - As pessoas sempre vão falar né?
Nenê Altro – Sim, e perdendo tempo falando elas deixam de viver.
14 - Pra ir encerrando, sobre a Teenager in a Box, as bandas e coletâneas que você lançou, do início até hoje, de At The Drive-in a No Class e Deserdados, deve dar uma puta satisfação olhar pra trás e ver tudo o que você já construiu com esse projeto, né? O que podemos esperar para o futuro? Novos lançamentos?
Nenê Altro –Sim, a Teenager In a Box sempre foi a menina de meus olhos, minha Dischord particular. Ficou parada um tempo porque, se for pensar bem, eu também fiquei parado um tempo, por mais que lançasse um ou outro disco com minhas bandas nesse período... Quando a Nicolle entrou em minha vida e batalhou a meu lado dia após dia por minha recuperação, nas longas caminhadas que tínhamos pela praia eu sempre falava pra ela da Teenager, das coisas legais que tinha feito e que queria voltar a fazer. Sabe, o “WantSomething” do No Class, foi um cd todo artesanal, a capa foi uma obra de arte do Tomas Spicolli que fizemos virar envelopinho, com todo cuidado, o encarte é um zininho, é uma obra de arte saca? E eu falava pra ela que queria fazer isso, queria dar voz a mais um Ludovic e abrir caminhos pra mais um Jair Naves. E isso foi fundamental em meu retorno, tanto que voltamos com o selo como uma “empresa familiar” rsrsrs A Nicolle é tão ativa hoje quanto eu e fazemos muitas coisas pelo selo, muitos planos, celebramos conquistas... A Teenager está licenciando para a Pisces a discografia inteira do Dance of Days que está saindo aos poucos, vamos lançar mais um livro, com várias passagens de entrevistas que dei desde 1997, que a Nicolle está separando por assunto e época... Inclusive essa resposta aqui deve ir pra parte em que falo da Teenager rsrsrs
15 - Jogo rápido:
AMIZADE - Amigos são os que estão ao seu lado e te apoiam, que te aceitam como você é, independente de suas escolhas pessoais.Os que não vêmsó pra prestar solidariedade quando você está na merda mas que comemoram suas conquistas dia após dia.
ESTANTE DE LIVROS – Anarquismo, poesia, rock, mitologia.
PERFORMANCE DE PALCO – Vai da época, vai da fase, como eu disse, minha arte é pessoal e não posso me demonstrar feliz estando triste ou fazer pose de deprimido quando estou adorando a minha vida. O jeito que sou no palco reflete o que sou em meu dia a dia.
ESTRADA – Vida. Gravar é bom, mas rock se faz ao vivo.
CINEMA – Político, punk, alemão.
CRÍTICAS – Não existem críticas construtivas, apenas gente ruim buscando momentos para expressar sua maldade. Se um trabalho ou obra artística não te agrada faça o seu, pois há lugar no mundo para todos. Perder tanto tempo assim preocupado em falar sobre o trabalho dos outros é atestado de incapacidade de fazer algo melhor.
FAMÍLIA – Todos aqueles que te fazem bem e que você tem prazer em manter por perto. E estes nem sempre são os seus parentes.
FILHOS – Orientar, escutar, conversar, defender, mas, acima de tudo, deixar viver.
CAFÉ – Bebo muito. Todos os dias. E meus amigos também rsrsrs
16- Obrigado Nenê pela atenção e por sempre apoiar o fanzine Meus Amigos bebem Muito Café! Conte conosco e apareça pra um café! =)
Nenê Altro –Exato. Se eu fosse mover meus dias de acordo com as opiniões das outras pessoas eu estava fodido! Ninguém JAMAIS está satisfeito com nada e, quando as pessoas te julgam por algo pode ter certeza que tem razões 100% pessoais para isso, ou seja, que te apontam o dedo movidos por suas próprias dificuldades em lidar com mudanças, por suas expectativas auto-sugeridas e etc. Eu vivo minha vida com sede, com sede de vida e essa sede só pode ser sanada por minha boca, não pela dos outros. Não sou artista, sou só alguém como todo mundo, que “gosta de falar e abraçar os amigos”, só tenho uma banda e, da mesma maneira que as pessoas gostam de minha banda eu gosto do 7 Secondsdesde moleque e nem por isso me importo com a vida pessoal do Kevin, só com a sensação boa e única que ouvir uma banda que fala com meu coração, um “walktogether rock together” bem alto, me traz.
13 - As pessoas sempre vão falar né?
Nenê Altro – Sim, e perdendo tempo falando elas deixam de viver.
14 - Pra ir encerrando, sobre a Teenager in a Box, as bandas e coletâneas que você lançou, do início até hoje, de At The Drive-in a No Class e Deserdados, deve dar uma puta satisfação olhar pra trás e ver tudo o que você já construiu com esse projeto, né? O que podemos esperar para o futuro? Novos lançamentos?
Nenê Altro –Sim, a Teenager In a Box sempre foi a menina de meus olhos, minha Dischord particular. Ficou parada um tempo porque, se for pensar bem, eu também fiquei parado um tempo, por mais que lançasse um ou outro disco com minhas bandas nesse período... Quando a Nicolle entrou em minha vida e batalhou a meu lado dia após dia por minha recuperação, nas longas caminhadas que tínhamos pela praia eu sempre falava pra ela da Teenager, das coisas legais que tinha feito e que queria voltar a fazer. Sabe, o “WantSomething” do No Class, foi um cd todo artesanal, a capa foi uma obra de arte do Tomas Spicolli que fizemos virar envelopinho, com todo cuidado, o encarte é um zininho, é uma obra de arte saca? E eu falava pra ela que queria fazer isso, queria dar voz a mais um Ludovic e abrir caminhos pra mais um Jair Naves. E isso foi fundamental em meu retorno, tanto que voltamos com o selo como uma “empresa familiar” rsrsrs A Nicolle é tão ativa hoje quanto eu e fazemos muitas coisas pelo selo, muitos planos, celebramos conquistas... A Teenager está licenciando para a Pisces a discografia inteira do Dance of Days que está saindo aos poucos, vamos lançar mais um livro, com várias passagens de entrevistas que dei desde 1997, que a Nicolle está separando por assunto e época... Inclusive essa resposta aqui deve ir pra parte em que falo da Teenager rsrsrs
15 - Jogo rápido:
AMIZADE - Amigos são os que estão ao seu lado e te apoiam, que te aceitam como você é, independente de suas escolhas pessoais.Os que não vêmsó pra prestar solidariedade quando você está na merda mas que comemoram suas conquistas dia após dia.
ESTANTE DE LIVROS – Anarquismo, poesia, rock, mitologia.
PERFORMANCE DE PALCO – Vai da época, vai da fase, como eu disse, minha arte é pessoal e não posso me demonstrar feliz estando triste ou fazer pose de deprimido quando estou adorando a minha vida. O jeito que sou no palco reflete o que sou em meu dia a dia.
ESTRADA – Vida. Gravar é bom, mas rock se faz ao vivo.
CINEMA – Político, punk, alemão.
CRÍTICAS – Não existem críticas construtivas, apenas gente ruim buscando momentos para expressar sua maldade. Se um trabalho ou obra artística não te agrada faça o seu, pois há lugar no mundo para todos. Perder tanto tempo assim preocupado em falar sobre o trabalho dos outros é atestado de incapacidade de fazer algo melhor.
FAMÍLIA – Todos aqueles que te fazem bem e que você tem prazer em manter por perto. E estes nem sempre são os seus parentes.
FILHOS – Orientar, escutar, conversar, defender, mas, acima de tudo, deixar viver.
CAFÉ – Bebo muito. Todos os dias. E meus amigos também rsrsrs
16- Obrigado Nenê pela atenção e por sempre apoiar o fanzine Meus Amigos bebem Muito Café! Conte conosco e apareça pra um café! =)
Nenê Altro –Eu
que agradeço Luis! Para quem quiser saber mais dos projetos da Teenager In a
Box é só acessar o blog teenagerinabox.wordpress.com e para acompanhar a agenda
do Dance of Days é só acessar www.danceofdays.com.br ok? Força sempre!
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sexta-feira, 16 de março de 2012
Meus amigos bebem muito café - v/a -volume tres
Ano passado coloquei no ar, o projeto da coletânea virtual do fanzine, com várias bandas alternativas nacionais e até da America do Sul. Tenho muita alegria em lançar agora o volume 3 da "meus amigos bebem muito café". Agradeço todas as bandas, todos que divulgam e todos que dão suporte ao underground.A proposta continua a mesma, mesclar os mais diversificados estilos. Este volume conta com a nossa primeira parceria, a SUBVERTA PRODUÇÕES. Se liga nas bandas:
ÓDIO SOCIAL (São Paulo/SP)
SISTEMA SANGRIA (São Paulo/SP)
SATANIC SHARKS (São Paulo/SP)
FUGITIVOS DA YAKUZA (Florianópolis/SC)
SIN AYUDA (Taubaté/SP)
DISCHAOS (São Paulo/SP)
NUESTRO SANGRE (Teresópolis/RJ)
RAMISTERS (São Paulo/SP)
ARTIGO DZ9? (Agudos/SP)
SENANDIOMA (Aracaju/SE)
LAZY JONES (São Paulo/SP)
LADO LESTE ALERTA (São Paulo/SP)
GUERRA URBANA (Recife/PE)
MÁQUINA (Santos/SP)
FUCKING HATE (?...)
MANIAC BASTARDS (?..)
LOMBA RAIVOSA (São/Paulo/SP)
ÓDIO SOCIAL (São Paulo/SP)
SISTEMA SANGRIA (São Paulo/SP)
SATANIC SHARKS (São Paulo/SP)
FUGITIVOS DA YAKUZA (Florianópolis/SC)
SIN AYUDA (Taubaté/SP)
DISCHAOS (São Paulo/SP)
NUESTRO SANGRE (Teresópolis/RJ)
RAMISTERS (São Paulo/SP)
ARTIGO DZ9? (Agudos/SP)
SENANDIOMA (Aracaju/SE)
LAZY JONES (São Paulo/SP)
LADO LESTE ALERTA (São Paulo/SP)
GUERRA URBANA (Recife/PE)
MÁQUINA (Santos/SP)
FUCKING HATE (?...)
MANIAC BASTARDS (?..)
LOMBA RAIVOSA (São/Paulo/SP)
Baixe e dissemine aos 4 cantos do mundo por este link: http://www.mediafire.com/?1xolr8qg8a8nnya
aproveite e baixe as edições anteriores: vol 01 http://www.4shared.com/file/HO8-YPhv/coletnea_meus_amigos_bebem_mui.html
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