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terça-feira, 16 de junho de 2015

Entrevista com Nenê Altro : O fim da dança dos dias?

Como muitos já sabem, o Dance of Days anunciou uma pausa que talvez seja definitiva. Troquei uma ideia com o Nenê, que tocou em pontos chave como a saída de integrantes, redes sociais e seus malefícios e o cancelamento de alguns shows. Confiram! 
Por Luís Perossi

1- O anúncio do hiato do Dance of Days, ao menos para mim, foi uma triste surpresa. Esta decisão foi pessoal ou foi de comum acordo entre os remanescentes até então da banda? O quê exatamente motivou esta parada, haja vista que a banda parecia estar a mil, lançando 4 eps e em vias de lançar o full album pela HBB?


Nenê Altro – Então Luis, não era algo planejado mesmo, mas aconteceu. Parar um tempo às vezes é bom, faz ver as coisas sem tanta pressão e com mais calma. Enfim, uma banda é um relacionamento, e para um bom relacionamento existir é necessário química, harmonia, e isso não estava acontecendo internamente na banda desde o final do ano passado. Quando não há harmonia o desgaste é inevitável. É basicamente como quando um casamento acaba virando apenas amizade, não há ódio, raiva, mas o algo a mais se perdeu, e sem esse algo a mais não há calor, não há emoção e isso sempre foi fundamental pra mim. A decisão foi minha, mas foi algo que já estava borbulhando em nosso convívio. Eu só comentei e todos acharam ser a melhor coisa mesmo a se fazer. Logo após a decisão do hiato o Fausto decidiu sair da banda. E foi assim. Mas gostaria de lembrar que essa não é a primeira vez que o Dance of Days entrou em hiato, isso já aconteceu entre 1998 e 1999, que foi a época onde eu tive as bandas Bastard In Love e Awkward.

2- Houveram muitas informações desencontradas e especulações nas redes sociais desde a saída do Tyello, até as mais recentes, como a do Samuel. O Fausto também anunciou a saída da banda. Qual a sua posição perante esta saída de membros e qual sua relação com eles hoje em dia? 

Nenê Altro – Eu acho que você tocou num ponto chave que define todos esses problemas: redes sociais. O Dance of Days  vem de outra escola e de uma época antes das redes sociais aparecerem, acho que por isso não temos um bom relacionamento nelas ou as pessoas sentem que deixamos muitas coisas desencontradas. Somos da época da carta, dos cartazes nas ruas, das conversas nos shows, telefonemas, etc. Desde que a internet surgiu sempre tivemos dificuldade em lidar com isso, seja no Mirc, Fotolog, nas comunidades do Orkut, e agora com o Facebook e as outras. E como muita gente já nasceu inserida nisso tudo deve ser realmente difícil entender que qualquer outra pessoa no planeta não tenha essa ligação com as redes. Por exemplo, em 1997 o Fernando saiu da banda e ficou só no Againe, o Leandro entrou e ninguém nem comentou ou deu opinião. E muitas formações depois, não muito longe e já no começo da net, quando o Junior, que gravou o A História Não Tem Fim, saiu e o Fausto entrou, nada foi uma grande notícia. O fato é que hoje as redes sociais mudaram as relações humanas e eu não sei até que ponto isso é saudável, todo mundo meio que se sente obrigado a dar uma opinião, mesmo quando as pessoas não pedem ou quando não lhes diz respeito, todo mundo é crítico, é formador de opinião, eu não sei, pelo menos pra mim isso tudo ainda é muito confuso. Enfim, o Tyello saiu em 2012, já com algum desgaste de estrada, pessoal, e optou por cuidar de seu estúdio e tocar sua vida. Já nos encontramos algumas vezes, não temos briga mas não somos mais tão próximos. O Samuel e eu tivemos um desentendimento pessoal no final do ano passado e nossas diferenças levaram a ruptura no início desse ano. Minhas lembranças dele são as boas, de antes disso tudo, sempre nos demos bem musicalmente em gostos, não tínhamos muitos problemas. Mas hoje não somos mais amigos. Acontece gente, as pessoas são diferentes, tem vontades e escolhas diferentes e às vezes entram em conflito, é a vida. O Fausto já não estava confortável desde a saída do Samuel. Ainda tentou alguns meses, se animou, mas com os desgastes mais recentes, após o anúncio do hiato me ligou e disse que se a banda voltasse ele não voltaria. Diferente do que estão dizendo por aí não brigamos nem estamos brigados, só chegou a hora de seguirmos rumos diferentes.

3- A banda tocou em Osasco recentemente, logo após o anúncio do hiato. Vi um pequeno trecho em um vídeo, onde você dizia que está " se sentindo cada vez mais morto". Logo em seguida rolou "Um Canto para caronte". Deu pra perceber que a atmosfera desse show foi pesada e deve ter sido um momento difícil pra você. Gostaria de falar sobre isso? Você não se sente mais feliz à frente da Dança dos Dias?

Nenê Altro – Tudo no Dance of Days é pessoal. Cada palavra, cada frase, cada emoção que coloquei nas músicas. Por isso cantar algumas em certos momentos é difícil. Caronte fala sobre morte, é um “canto para o barqueiro” como seu próprio nome diz, a canção fala sobre repensar sua vida, suas escolhas e aceitar as fatalidades. Minha banda está passando por algo difícil e isso me atinge diretamente, pois não sou um personagem, não sou um ator, tudo ali é sobre mim. O show foi difícil porque a banda não está bem, passei por muitas situações ruins nos últimos meses e tudo estava envolvido com a banda e com as redes sociais, e isso se arrasta há tempos, por isso eu disse que “me sinto cada vez mais morto”, perdendo sempre algo de mim. E numa banda era pra eu me sentir de qualquer outra maneira menos essa, uma banda é pra dar prazer, felicidade, bons momentos, e não é o que tem rolado. Pra você ver como isso vem de antes, no último ep eu disse isso claramente na música “Acontece Agora (A Carta De Adeus Do Garoto Unabomber). Aliás, acho que quem quiser entender realmente tudo que aconteceu nos últimos anos deve ler as letras dos quatro eps e relacioná-las ao que acontecia em cada período. Tudo sempre foi muito confessional, até porque não sei ser de outra forma.

“As pessoas são estranhas.
Às vezes quero distância.
Eu não sou daqui, tenho certeza,
e sabe, cansei tanto de falar,
tentar e insistir.

Tão fechado e tão externo,
um corpo d'água no inferno,
perco sempre algo de mim.
Essa gente não me quer,
e eu não tenho nada a ver
com mais ninguém que vive por aqui.

Então tudo bem, não há mais segredo,
eu vou ficar bem, espero que faça o mesmo.
Que eu não posso ter nem mais um segundo
onde tudo me faz mal, onde nada faz sentido pra mim.

Não é nada pessoal — às vezes.
Até consigo sentar e sorrir
e jogar conversa fora,
mas eu sempre penso em ir embora
e em sumir dessa gente que maltrata,
não aprende e nunca para de falar e de mentir.

Sinto muito, eu vou viver
o meu mundo sem você.
E nada mais, nada mais vai me ferir.

Então tudo bem, não há mais segredo,
eu vou ficar bem, espero que faça o mesmo.
Que eu não posso ter nem mais um segundo
onde tudo me faz mal, onde nada faz sentido pra mim.

E aqui se proclama o mantra da estrada:
O que era já se foi, a vida acontece agora.
E o que será é distante demais, a vida acontece agora.”

4- E sobre o cancelamento das datas já marcadas, o que você gostaria de dizer ao público que iria comparecer aos shows?

Nenê Altro – Peço desculpas. Eu realmente pensei que seria possível fazer, até antes do show de Osasco estávamos divulgando as datas, chamando as pessoas, mas sou um ser humano, tenho meus limites e sentimentos, e não consigo passar pelo que passei naquele show novamente. Na verdade acho que é mais honesto de minha parte fazer isso, pois, como eu acabei de dizer, eu não sou um ator. Sei que sou uma pessoa difícil às vezes, principalmente quando estou criando, sou genioso, impulsivo, mas eu sou o que sou, vai das pessoas gostarem ou não. Subir num palco e fingir que está tudo bem seria desonesto comigo e com o público.

5- O show no Oxigênio Fest, ao lado do Dead Fish, Garage Fuzz, Hateen , Zander e Fistt,não foi desmarcado. Ele será mesmo o último do Dance of Days antes da pausa? O que você pretende fazer enquanto o Dance of Days hiberna? Novos projetos? Livros? Bandas? O que esperar de Nenê Altro no contexto atual?

Nenê Altro – Será o último show dessa fase do Dance of Days que começou no A História Não Tem Fim. Não foi cancelado porque eu realmente quero dar um adeus a todas as pessoas que me apoiaram nos últimos anos, compareceram aos shows, usaram camisetas, compraram meus discos. Não escolhemos entre um ou outro pra cancelar, esse simplesmente era o mais próximo e precisamos parar mesmo e dar um tempo disso tudo. Eu pretendo dar o máximo de mim nesse show e fazer uma apresentação que honre todos esses anos de batalha. Eu não sei o que vai ser do futuro do Dance of Days, como você sabe a banda nasceu lá atrás em 1997 comigo tocando guitarra na madrugada sozinho em casa e depois chamando uns amigos pra fazer um projeto. Talvez a história não tenha fim, quem sabe? Mas essa fase do História até os eps acabou, se um dia porventura eu decidir voltar certamente será outra coisa, mas isso não está em meus planos. Estou cuidando da minha casa nova, de volta ao ABC paulista, mobiliando com minha esposa Nicolle, pintando as paredes, cuidando de nossos gatos, isso está sendo maravilhoso pra mim. Não há lugar como nosso lar, não é mesmo? Artisticamente, eu estou com uma nova banda chamada Nowhere Fast que será com certeza minha terapia nos próximos meses, mais pesada, um pouco na linha do 43 Segundos do Sick Terror mas com outros elementos, pra gritar e exorcizar mesmo, pois estou precisando. Queria escrever algo para esse ano, tenho alguns poemas já guardados, não sei ainda, preciso que esse hiato realmente comece pra ver o que vai acontecer.

6- Obrigado pela atenção e pela conversa, fique livre para acrescentar e falar algo que tenha faltado.

Nenê Altro – Muito obrigado Luis pela oportunidade de explicar essas coisas. Eu não estou e NÃO SOU da internet, excluí há algum tempo meu perfil no facebook, tentei usar o twitter e não me senti bem, enfim, isso definitivamente não é pra mim. Se você quer me seguir, siga minha música, minhas palavras, textos, letras e poesias. Isso é o que é de verdade e é o que fica. O dia sempre amanhece e tudo sempre se transforma no universo, isso é uma das coisas mais mágicas da vida. Estarei sempre com vocês, em cada música gravada em seus corações. Muito obrigado mesmo, e muita força a todos, sempre.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Últimas gigs do ano: Fistt, Dead Fish, Horace Green e Dance of Days


O ano de 2014 ao menos no quesito shows foi sensacional. Encerrando o já mencionado COMBO HC PARTE 1   e COMBO HC PARTE 2 ,deixamos aqui o registro fotográfico da apresentação do Fistt de Jundiaí no Vale do Anhangabaú precedendo o show apoteótico do Dead Fish. Esse evento encerrou o Rock Radical no dia 21 de dezembro.
Fistt
Galera esperando o Dead Fish
Pirâmide humana? teve!


DEAD FISH : VENCEREMOS!

Dia 27 fomos conferir Horace Green e Dance of Days, dois ótimos shows de onde tiramos o vídeo da apresentação do D.O.D tocando "Não Maltrates Teu Coração".
Como diz a canção mencionada, seguir então é o mais importante. Ano que vem tem muito mais, nos vemos nos rolês, gigs e nas caixinhas dos correios por meio do zine impresso. Valeu a todos por mais um ano!
Horace Green: o Hot Water Music versão brasileira


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Dance Of Days - 27/Setembro/2014 -Hangar 110- SP, lançamento do EP "O Melhor Tempo de Sua Vida"


Pra quem acompanha a banda Dance Of Days ( nome retirado da canção da banda pós-hc /primórdios do punk emocional, Embrace), seja de hoje ou "dazantiga", sabe que a atmosfera que paira no Hangar 110 é diferente quando Nenê Altro e seus comparsas mandam ver naquele palco tão clássico para o punk/hc e música independente nacional e gringa.

A noite de 27 de setembro não foi diferente neste sentido. Ansiedade a mil para ver como funcionariam as novas canções deste EP que se trata de um ousado projeto de 4 EPs que compõem no fim das contas, o full álbum da banda que sairá até em vinil.

Antes, belos shows, de bandas que eu nem conhecia ( isso é o mais legal de tudo), como o Better Man, que segue uma linha melódica, com uma influência puxada pro rock Dischord e Washington DC, com algo de Hateen na fase em inglês, e também o sensacional Taunting Glaciers, a banda que tocou na alma deste que vos escreve.
Com direito a teclados que davam todo o clima e requinte ao rock às vezes mais rápido, e outrora mais lento, e sempre carregado de nuances, com um vocal absurdamente bem colocado, na pegada desespero pique Grade, esta banda já tinha me chamado a atenção dias atrás quando esbarrei com um vídeo dos caras e das garotas.

Em breve falaremos mais deles e do Better Man e seus respectivos EP's, aguardem!
Os já veteranos do kactus também marcaram presença com seu hardcore energético, com direito a cover de Beastie Boys e muito bate cabeça.
Depois de alguma espera, abrem-se as cortinas e o que se vê são punhos cerrados ao alto , em uníssono, palmas, moshes, sorrisos, e um Dance Of Days cheio de gás e vontade, a troca de energia entre público e plateia era nítido.
"Dorian" e "Pregos, cruzes e um saco de moedas", funcionam bem com as novas canções, caso de "O Melhor Tempo de Sua Vida" ( de fato um hit, daquelas canções pra cantar em coro), e "Caro Combatente".

Sim meus caros e caras leitores (as). O Dance of Days é uma banda cada vez mais necessária no cenário atual, com letras que fazem sentido não apenas para os teenagers, ou os old school, mas para o ser humano que busca algo de melhor na vida, algo de positivo,  aquele que se enxerga sendo um "Caro Combatente" à negatividade, às trapaças, e também aos que se opõem perante pessoas carregadas de subterfúgios e falsidade.

A canção que fecha o novo EP, "Eu Não Vou Mais Perder Tempo Tendo Medo de Não Ser Bom o Suficiente pra Você" tem uma mensagem direta, capaz de falir todos os escritores de livros de autoajuda em questão de minutos. Se você é adepto(a) deste tipo de "literatura", ouça esta canção e se prepare pra pegar  o alcool e fósforos mais próximos e tacar fogo naquele livreco do Paulo Coelho que você acha o máximo ( vale para similares).
"A Vitória ou Coisa que o Valha" encerrou a noite onde cada um dos presentes no Hangar, por alguns instantes, eram uma só voz.
Descarrego hardcore. Até o próximo, crianças do campo.


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Entrevista com Nenê Altro do Dance of Days e Teenager in a box

Desde que comecei a fazer fanzines lá pelos idos dos anos 90, sempre tive vontade de entrevistar e trocar uma ideia para publicar em zines com duas pessoas. Uma foi o Redson do Cólera, até tentei por carta na época, mas acho que sequer chegou até ele.A Outra  é o Nenê. Segue na íntegra histórias curiosas como a treta da turnê gringa do Sick terror, o futuro do Dance of Days e curiosidades que só quem está há tanto tempo na estrada e tem bagagem do que é a essência do faça você mesmo pode compartilhar.


Dance of Days, época de "a história não tem fim"


1 – O Dance of Days sempre foi  uma banda que falou de visões pessoais e políticas, mas, ainda assim, muita gente teve e tem preconceito com o trabalho de vocês. Ao que você acha que isso se deve?
Nenê Altro –Em 2001 lançamos um disco em português, nadando contra toda a corrente de 90% das bandas de nossa geração. O disco abria com uma música contra homofobia chamada Se Essas Paredes Falassem e vendeu 18.000 cópias defendendo “um outro lugar onde marte ama marte e vênus possa passear de mãos dadas com vênus”. Esse foi um choque numa cena que, por mais que se afirmasse “moderna” ainda tinha muito de moralista e, principalmente, homofóbica. E nós abraçamos essa luta colocando a cara pra bater, de que a pessoa não tem que ser homossexual pra ser contra a homofobia, que pode ser branca e ser contra o racismo, que a luta contra o preconceito era e é uma luta de todos. E pensamos isso até hoje. Mas isso, na época, gerou o estigma entre a galera que se sentiu ofendida com essa postura. Mas enfrentamos. Sempre enfrentamos. Só com o “História” foram 18.000 cópias não só contra homofobia, mas falando de ateísmo (Vinde a Mim), contra a luta partidária (Corvos do Paraíso), contra a opressão do sistema de trabalho (Carro Bomba) e celebrando a vida, o amor e os bons sentimentos humanos.  A verdade é que o pessoal aqui sempre foi muito cabeça fechada, tanto que dezenas de bandas de rock ogro continuam a fazer a cabeça da molecada e a galera “acha o maior barato”. O povo daqui também não entendeu a “fase The Damned” da banda em 2005, com o Lírios Aos Anjos, acho que tudo isso gerou essa coisa toda idiota do preconceito com a banda.




2 - Você acha que as coisas mudaram desde essa época do “História” até hoje, nesse sentido?


Nenê Altro – Às vezes acho que está melhor, às vezes acho que pior... está uma fase bem estranha. Em 2001 o link com o punk, com a essência da coisa toda, era muito forte... A galera fazia música pra se expressar, independente do estilo, independente de sua música ser influenciada por Conflict ou por Mineral, o importante era por pra fora as coisas que gritavam no peito. Hoje tem isso ainda, mas acho que tem dois fatores bem perigosos, um que, por um lado, muita gente que está no meio não faz nem ideia de como a coisa começou, não quer nada além de sucesso a qualquer custo e essas coisas, e o outro que existe uma tolerância com a burrice e a ignorância que deixa cada vez mais atitudes preconceituosas, homofóbicas, nacionalistas e religiosas passarem batido, pois “agora as coisas são assim”. Não gosto disso, não foi com isso que me envolvi e luto para mostrar que a gente não faz parte dessa merda aí, que temos sim posturas claras e que fazemos parte do punk, da cultura combatente que nos levou a montar uma banda, antes mesmo de estarmos juntos no Dance of Days.


3 - Você citou essa “fase The Damned” de 2005, do Lírios Aos Anjos. Porque você acha que ela foi tão mal compreendida?

Nenê Altro – Nessa mesma época o “emo” estava estourando por aqui, não a coisa que acompanhamos no início do Dance of Days em 1996 com o Revolution Summer de Washington dos anos 80 e muito menos a cena que veio na nossa época com a JadeTree, a Initial, a Doghouse, mas a das bandas estereotipadas de franja que infestaram as rádios brasileiras em 2004-2005, dessa cena do olho pintado, do Good Charlotte e essa parada toda aí que se convencionou chamar de “emocore” por aqui.E por mais que eu usasse só as camisetas das bandas góticas que eu mais amava desde a adolescência (é só olhar o encarte do Valsa!), do Bauhaus, do Neubauten, do Sisters,  ou todas as camisetas do The Cult que eu tinha no armário, se as pessoas não tinham o link com o punk, imagine com o pós punk! Elas sequer sabiam quem era Ian Astbury!E a geração mais velha, que sabia, não se misturava com essa nova. Então acabaram achando que era tudo a mesma coisa. Chegou uma hora que cansamos de explicar e mandamos todos à merda. Sempre soubemos o que fazíamos e até hoje sabemos o que somos, isso é o que mais importa.


4 - Nenê, lembro do seu projeto Awkward. Fui num show que era na Rua Pamplona, junto com Dominatrix, Paura e outras bandas. Não sabia quem era você, mal tinha ouvido falar de Personal Choice , porém lembro de todos falando “é a banda nova do Nenê Altro”. Devia ser 1997, 98... Não sei ao certo... Aquele show me marcou, porque via que vocês erravam quase todas as músicas, e eu achava aquilo incrível! Você lembra desse dia? O que o Awkward significou pra você e o que ficou de legado da banda?
Nenê Altro –Lembro sim, foi em 31 de Janeiro de 1999. Acho que foi nosso primeiro show, com Dominatrix, Paura, Sight For Sore Eyes e Extremo. Na verdade não era que errávamos tudo, era que estávamos bem indecisos quanto a sequência das músicas e nervosos por ser o primeiro show rsrsrs Enfim, se você pegar as músicas ao vivo que estão no fim daquele cd 1997/1998 do Dance of Days, você consegue entender a praia que eu estava quando o Dance deu aquele break e eu formei o Awkward com essa galera. Gostávamos de Elliot, Texas Is The Reason, Mineral... Foi uma banda muito boa, e era um momento muito mágico na cena hardcore, onde todo mundo estava descobrindo novas bandas e cenas. Muita gente que estava nesse show da Pamplona formou bandas depois, como Out of Season e Anyone. Bandas que foram muito boas e presentes na época... Estou tentando forçar a cabeça aqui, mas acho que a história foi a seguinte, com o break do Dance of Days eu formei o Bastard In Love, com a galera que era do Default e do Pudding Lane. Quando o Bastard In Love acabou, eu montei o Awkward com o guitarra do Bastard In Love e a galera que vinha do Landscape, Extremo e Supermarket e o restante do Bastard In Love montou o Hurtmold, que está aí até hoje. O Bastard In Love chegou a gravar bastante coisa, tínhamos uma demo, duas músicas na coletânea “Something. Nothing. Everything.” (inclusive uma chamada Crutch que alguns anos depois virou “Muletas” no Sick Terror), uma faixa no Tributo Ao Olho Seco lançado aqui em cd pela Red Star e lá fora em LP pela HöhNIE Records e um split ep em vinil lançado nos EUA pela Moo Cow Records, com a banda Cameran.


 Do Awkward, infelizmente, só ficou registrada a música Candle Light Tears (que falava sobre os desaparecidos políticos da ditadura) na coletânea “The FireBeneath The Machine”, que eu lancei pela Teenager In a Box, que também tinha At The Drive-In, Silver Scooter, SevenStorey Mountain e uma porção de bandas que faziam parte da mesma cena e que se correspondiam na época via carta. Com o fim do Awkward eu formei o Sick Terror e, logo na sequência, voltei com o Dance of Days, já com o embrião da formação que está até hoje. No Sick Terror fiquei até 2004, em paralelo com o Dance. É mais ou menos isso aí rsrsrs
(obs: o show que citei, que eu estava presente, está disponível no youtube, incrível rever isso!!!!)




5 - Ainda falando de suas outras bandas, vi também o Nenê Altro & O Mal de Caim pouco antes da banda acabar, no projeto Rock na Vitrine, lá na Galeria Olido, idealizado pelo Luiz Calanca da seminal loja Baratos e Afins. Aquele foi o último show? Há intenção de voltar com a banda ou você nem pensa nisso?
Nenê Altro –Acho que teve mais um show depois disso, na Livraria Da Esquina... Bom, o Mal foi uma banda que gostei muito do início ao fim, que tocou muito, que lançou um cd bem legal de death rock (EuremaElathea), e que ia lançar um dos cds que mais fazem falta em minha discografia pessoal, pois representava musicalmente todo fim do ciclo de vida que detalhei em meu segundo livro, “O Diabo Sempre Vem Pra Mais Um Drink”, que, aliás, seria também o nome do disco do Mal (a ideia era lançar na mesma época). 



 A Pisces ainda pensa em lançar esse cd, o que eu ia achar bem legal pra não ficar com essa lacuna na minha carreira, mas voltar com a banda não rola, pois as coisas dizem o que tem que dizer na época que gritam em seu peito, e não faz mais sentido pra mim cantar tanta tristeza. Os caras seguiram com suas bandas e eu segui com as minhas, cada um com suas histórias e conquistas. Poderia ter sido uma história bem maior, mas o momento se perdeu... 



6–Você citou o Sick Terror, não poderia deixar de perguntar, conte como foi essa experiência de “cadeia na Finlândia” em tour com a banda rsrsrs


Nenê Altro –Há exatos 10 anos atrás,em 2002, eu e o Marcelo Verardi estávamos em tour pela Finlândia com nossa antiga banda, o Sick Terror, fazendo alguns shows com o RIISTETYT. Estávamos em um grande mercado e o Verardi não falava uma palavra sequer de inglês. Lá, nessa época, já tinha muito essa cultura que hoje é comum aqui, de cards gratuitos de papel por todos os lugares, com datas de show, lançamentos de discos e etc. Mas na época, pra gente, era bem novidade. E o Marcelo acabou pegando uns postais dentro desse hipermercado achando que também eram “free”. Em menos de 2 minutos eu escuto ele chamar em português e vejo ele ser arrastado por dois brutamontes. É claro que, diferente do resto da galera que saiu rapidamente do mercado e passou a noite bebendo na discoteca, eu não ia deixar meu amigo pra trás. Cheguei lá dizendo que ia traduzir ele pra ajudar e ficamos numa sala com um guarda cheio de tattoos nazis que toda vez que estava sozinho com a gente falava um monte de merda contra latinos. Assim que a delegada chegou, dissemos que estávamos lá apenas para fazer alguns shows. Ela pediu o nome de um responsável e dissemos o nome do saudoso Nappi do Riistetyt e ela respondeu “- Isso não é nome de gente, é de cachorro!” rsrsrs No final ela conseguiu falar com alguém do clube onde iríamos tocar para verificar a história, mas estava tarde demais pra liberar a gente, pois o oficial já havia ido embora para casa. Eu fui me despedir do Marcelo dizendo que ia ficar na delegacia esperando por ele até ele ser solto e a delegada me disse “- Espere um momento, quanto dinheiro você tem no bolso?”. Eu, punk, sem tomar banho há alguns dias e em tour pela europa, achei que estava cheio da grana e disse, “- Ah, tenho bastante até, uns 50 euros”hahahaha E ela disse, “-Você não tem dinheiro suficiente para ficar na Finlândia” e mandou os guardas removerem a mim e ao Marcelo. Passamos a noite numa cadeia, em celas separadas, sem ninguém falar uma palavra em inglês com a gente e sendo acordados de meia em meia hora. Logo pela manhã o Perttu do Riistetyt apareceu bêbado pra buscar a gente e disse que chamaram o oficial pelo auto-falante que havia um “jovem cheirando a Búfalo” que queria soltar os brasileiros. Assinamos os papéis e fomos fichados, o Marcelo como ladrão e eu como indigente. No final da tour o camburão da polícia foi nos buscar no local combinado e nos levou para Helsinki pra garantir mesmo que iríamos entrar no avião rsrsrs É legal mencionar que nessa tour o RIISTETERROR (banda que era metade Sick Terror metade Riistetyt) se reuniu pela última vez em Tampere para gravar o ep ASEMA Z  e que originalmente esse epse chamaria POSTIKORTTI HARDCORE, ou seja “cartão postal hardcore” devido ao incidente do mercado hahaha. Nesse epque gravamos contamos com a participação do lendário Jakke, vocalista do KAAOS, cantando na música Sota OnTulossa (cover do próprio Kaaos), que acabou sendo seu último registro em vida.


7 – E quanto ao Dance of Days? Agora com a saída do Tyello da banda, como as coisas vão ficar? Quais os próximos passos?

Nenê Altro – O Tyello fez e sempre fará parte da história da banda, pois esteve 12 anos no Dance of Days. E a saída foi uma opção dele, que já estava cansado das coisas da estrada e quis se dedicar mais a seu estúdio. Respeitamos seu desejo e continuamos amigos. Decidimos continuar em 4 pessoas, seguindo a linha que sempre seguimos, de bandas como Avail, Ramones, 7 Seconds, Descendents, que sempre foram baixo, guitarra, bateria e vocal, e estamos felizes com isso. Os shows tem sido bons, fortes, e acho que essa atitude de mantermos a banda como está teve mais a ver com nossa história e proposta do que colocar um elemento a mais que, acima de se entrosar com a música teria que ter um entrosamento pessoal “do nada” com a gente que jamais conseguiria ter, pois nossa amizade ultrapassa uma década. E os fãs da banda curtiram muito isso, termos ficado só nós quatro. Agora vamos preparar um disco novo, sem pressa, mas com a ideia de sair no primeiro semestre de 2013. E vamos ficar na estrada, cada vez mais, pois não vivemos sem isso.

8 - Pela sua trajetória de vida no meio punk-underground, dá pra perceber nitidamente que você é um profundo incentivador da cultura de fanzines, não só incentivador, como também faz palestras sobre o tema e edita o Pest Zine com 5000 cópias distribuídas gratuitamente, o que contraria a ideia daqueles que diziam que com a massificação da internet os zines impressos morreriam... Porque, nos dias de hoje, em épocas de facebook e twitter, você ainda defende essa bandeira?

Nenê Altro –Eu parto do princípio que cada zine é uma obra de arte, uma forma autêntica de expressão.  É muito diferente uma pessoa escrever um bom artigo em um blog ou um post bem elaborado em uma rede social do ato de ela parar, colocar tudo de si em uma folha de papel, recortar, colar, montar sua expressão com as próprias mãos, com a sua personalidade, xerocar e passar adiante. Um zine chega em suas mãos como uma boa música, como um bom filme. Eu não sou contra a internet e os blogs, como muitos erroneamente me interpretaram, só acho que uma coisa é ser e ter um instrumento de comunicação ágil e rápido e outra é fazer arte. E essa arte pode ser pessoal, política, poética... E, o mais importante, não tem censura.  O que eu sou contra é as pessoas falarem que o zine evoluiu para a internet e que é coisa “ultrapassada”, “dos anos 80 e 90”, que “agora não tem sentido”. Sou contra essa postura, pois zine para mim é e sempre será uma expressão artística e dizer algo assim seria o mesmo que dizer que “pintar quadros não faz sentido” agora que temos a fotografia digital e o Photoshop. Sou um amante das artes como forma de expressão, pois nelas eu vejo o humano do ser que caminha sobre esse planeta. E se eu não acreditasse na força viva que traz brilho aos olhos desse ser humano, toda minha luta por liberdade social não faria sentido algum.

9 - Falando em zines, me remeteu aos seus livros. De todos os livros que já li, seja de literatura dita “marginal” até medalhões da literatura mundial, eu realmente nunca consegui sentir tanta carga emotiva, confessional e pessoal em outros livros como senti nos seus escritos. Pra você, escrever, seja em livros ou letras para suas bandas, é uma espécie de “exorcismo”, de “por pra fora tudo o que grita no peito” ?

Nenê Altro –Sim, eu sempre digo que faço música e escrevo por necessidade biológica, porque meu corpo grita por isso. Acho que deve ser muito frustrante alguém escrever para “ser escritor”, tentar deixar palavras numa ordem “bonita” para “ser poeta” ou seguir um caminho determinado para “ser músico”. Eu não sou escritor, não sou poeta e muito menos músico. Minha profissão é de agitador cultural e organizador de eventos. Se um dia eu transformasse minha arte numa fórmula eu perderia a sensação libertadora que ela me traz, que é o que me mantém vivo e me permite respirar. Essa fase ruim que eu passei em minha vida... eu teria enlouquecido se não tivesse colocado pra fora nos Funerais do Coelho Branco, no Eurema Elathea, no 43 Segundos, no Lírios Aos Anjos. A música, a poesia, os desabafos, sempre foram minhas válvulas de escape. E não me interpretem mal, eu não sou contra escritores, poetas e músicos, apenas não sou nada disso. Sou só um garoto imbecil a se repetir rsrsrs

10 - Recentemente o CRASS mudou muito sua postura e chegou inclusive a remover as suas músicas de sites de download gratuito. Como você viu isso, sendo que é tão fã da banda?
Nenê Altro – Minha história com o CRASS data do final dos anos 80, época em que me envolvi com o anarco-punk.  20 anos depois, em 2009, resolvi fazer a tattoo da banda no antebraço, pois, independente do que os membros se tornaram hoje ou do rumo que seguiram em suas vidas individuais, a atividade que tiveram nos anos gloriosos da banda foi uma influência fundamental em minha vida. Não me arrependo, faria a tattoo novamente, pra mim o CRASS fugiu ao controle do que os membros possam fazer ou deixar de fazer após o final da banda, sua história é propriedade da própria história do punk e é a isso que me marquei. Não concordo, é claro, com essas coisas que aconteceram recentemente, mas, desde a entrevista que saiu na Vice deu pra ver que a coisa já caminhava para esse lado. O que fica foi o que marcou na vida de cada pessoa influenciada por seu trabalho original, os bons discos, as boas atitudes e tudo o que foi irreversivelmente construído na vida das pessoas que tiveram contato com essa essência. Acho que esse é o verdadeiro papel de fã mesmo de um trabalho como esse, gostar da banda pelo que ela te oferece e não esperar que seja mais do que é.

11 - E por falar em fãs, sua vida pessoal sempre foi exposta, aberta, e vi nos últimos anos pela net que muita gente te criticou por mudar essa postura, por querer ter uma vida mais reservada, e disseram que isso não deveria mudar suas atitudes “como músico”. O que pensa disso?

Nenê Altro –Quem acha que minha vida pessoal não vai mudar minhas atitudes no Dance of Days jamais entendeu a proposta da banda. Não somos uma banda profissional. Somos amigos querendo se divertir e eu, desde o começo, uso a banda como forma PESSOAL de expressão. As pessoas dão mancada comigo, falam mal das minhas coisas por aí, me xingam em comunidades e esperam que eu tenha “atitudes profissionais como músico” com elas. Estas realmente nunca entenderam ou sequer fizeram parte de tudo isso que essa conexão significa. Nunca fomos profissionais, nunca seremos profissionais, somos vivos e somos gente, carne, osso e sentimentos, e tudo o que somos é o que move a nossa arte.


12 - Acho que você já deixou claro sua posição quanto a opiniões várias vezes, não só nas músicas quanto nos livros rsrsrs

Nenê Altro –Exato. Se eu fosse mover meus dias de acordo com as opiniões das outras pessoas eu estava fodido! Ninguém JAMAIS está satisfeito com nada e, quando as pessoas te julgam por algo pode ter certeza que tem razões 100% pessoais para isso, ou seja, que te apontam o dedo movidos por suas próprias dificuldades em lidar com mudanças, por suas expectativas auto-sugeridas e etc. Eu vivo minha vida com sede, com sede de vida e essa sede só pode ser sanada por minha boca, não pela dos outros. Não sou artista, sou só alguém como todo mundo, que “gosta de falar e abraçar os amigos”, só tenho uma banda e, da mesma maneira que as pessoas gostam de minha banda eu gosto do 7 Secondsdesde moleque e nem por isso me importo com a vida pessoal do Kevin, só com a sensação boa e única que ouvir uma banda que fala com meu coração, um “walktogether rock together” bem alto, me traz.

13 - As pessoas sempre vão falar né?

Nenê Altro – Sim, e perdendo tempo falando elas deixam de viver.

14 - Pra ir encerrando, sobre a Teenager in a Box, as bandas e coletâneas que você lançou, do início até hoje, de At The Drive-in a No Class e Deserdados, deve dar uma puta satisfação olhar pra trás e ver tudo o que você já construiu com esse projeto, né? O que podemos esperar para o futuro? Novos lançamentos?

Nenê Altro –Sim, a Teenager In a Box sempre foi a menina de meus olhos, minha Dischord particular. Ficou parada um tempo porque, se for pensar bem, eu também fiquei parado um tempo, por mais que lançasse um ou outro disco com minhas bandas nesse período...  Quando a Nicolle entrou em minha vida e batalhou a meu lado dia após dia por minha recuperação, nas longas caminhadas que tínhamos pela praia eu sempre falava pra ela da Teenager, das coisas legais que tinha feito e que queria voltar a fazer. Sabe, o “WantSomething” do No Class, foi um cd todo artesanal, a capa foi uma obra de arte do Tomas Spicolli que fizemos virar envelopinho, com todo cuidado, o encarte é um zininho, é uma obra de arte saca? E eu falava pra ela que queria fazer isso, queria dar voz a mais um Ludovic e abrir caminhos pra mais um Jair Naves. E isso foi fundamental em meu retorno, tanto que voltamos com o selo como uma “empresa familiar” rsrsrs A Nicolle é tão ativa hoje quanto eu e fazemos muitas coisas pelo selo, muitos planos, celebramos conquistas... A Teenager está licenciando para a Pisces a discografia inteira do Dance of Days que está saindo aos poucos, vamos lançar mais um livro, com várias passagens de entrevistas que dei desde 1997, que a Nicolle está separando por assunto e época... Inclusive essa resposta aqui deve ir pra parte em que falo da Teenager rsrsrs

15 - Jogo rápido:

AMIZADE - Amigos são os que estão ao seu lado e te apoiam, que te aceitam como você é, independente de suas escolhas pessoais.Os que não vêmsó pra prestar solidariedade quando você está na merda mas que comemoram suas conquistas dia após dia.

ESTANTE DE LIVROS – Anarquismo, poesia, rock, mitologia.

PERFORMANCE DE PALCO – Vai da época, vai da fase, como eu disse, minha arte é pessoal e não posso me demonstrar feliz estando triste ou fazer pose de deprimido quando estou adorando a minha vida. O jeito que sou no palco reflete o que sou em meu dia a dia.

ESTRADA – Vida. Gravar é bom, mas rock se faz ao vivo.

CINEMA – Político, punk, alemão.

CRÍTICAS – Não existem críticas construtivas, apenas gente ruim buscando momentos para expressar sua maldade. Se um trabalho ou obra artística não te agrada faça o seu, pois há lugar no mundo para todos. Perder tanto tempo assim preocupado em falar sobre o trabalho dos outros é atestado de incapacidade de fazer algo melhor.

FAMÍLIA – Todos aqueles que te fazem bem e que você tem prazer em manter por perto. E estes nem sempre são os seus parentes.

FILHOS – Orientar, escutar, conversar, defender, mas, acima de tudo, deixar viver.

CAFÉ – Bebo muito. Todos os dias. E meus amigos também rsrsrs

16- Obrigado Nenê pela atenção e por sempre apoiar o fanzine Meus Amigos bebem Muito Café! Conte conosco e apareça pra um café! =)
Nenê Altro –Eu que agradeço Luis! Para quem quiser saber mais dos projetos da Teenager In a Box é só acessar o blog teenagerinabox.wordpress.com e para acompanhar a agenda do Dance of Days é só acessar www.danceofdays.com.br  ok? Força sempre!

domingo, 6 de maio de 2012

PIN UPS,SUICIDAL TENDENCIES, DANCE OF DAYS, DE FALLA, KILLI E A VIRADA CULTURAL 2012 SÃO PAULO

Segunda Virada Cultural que presenciei. Para quem desconhece, é um evento com ZILHÕES de  atividades culturais, shows, teatro, freak show, stand up comedy, luta livre, tudo  o que você imaginar , que acontece na cidade de São Paulo todo ano e já faz parte do calendário cultural. Nesta edição, só pude comparecer aos shows do domingo, e cheguei até com uma lista do que iria ver, e para minha surpresa, vi 99% do que queria, faltou Mercenárias, não consegui localizar, não sei se marquei errado, enfim, perdi.Acho que  para fãs de rock Underground, foi sensacional. A lenda Pin Ups, banda que tocava o coração até do saudoso Kurt Cobain, já estava mandando ver seu rock visceral as oito e pouca da manhã. Fiquei reparando na performance da Eliane "Repentina",pago um pau quando vejo alguém tocar do jeito dela, com pegada e vontade, puro rock. Ainda deu tempo de conferir o Carneiro, do grande Mickey Junkies mandar um som com eles. Era pra ter foto, mas ainda estou aprendendo a lidar com esta nova câmera, e TODAS  as fotos do Pin Ups saíram em branco. Filmei mas o som ficou horrível pela câmera, e no PC o som não sai, enfim, desculpem-me.
De lá corri pro palco do Suicidal Tendencies. Fudido, emocionante, petardos clássicos na sequencia e um dos públicos mais insanos que já presenciei, sem palavras!! Também  não  tenho fotos decentes hahahhaha, fiquei longe mas se liguem nessa tirada com o celular toscão, só pra ver qualé:

 O som tava com uma qualidade boa, e o telão funcionou ao contrário do ano passado no Misfits. Achei um vídeo do show de hoje cedo no youtube e coloquei aqui.
SUICIDAL TENDENCIES VIRADA CULTURAL SP 2012

Corremos então pra conferir o De Falla. Edu K, Biba Meira  e cia mandaram o rock gaúcho "chinelão" e "bagaceira" mais underground do universo. Achei o público meio frio, ou eu que me empolgo demais com o De Falla, sei lá, banda que mudou minha vida, e abriu minha mente para diversos tipos de som. Rap, Trash, funk melody, hardcore, e a insanidade de sempre do Edu K. Mandaram "Caminha que aqui é de Osasco", "Help" dos Beatles, que eu só havia escutado na versão do Cd "Top Hits", onde quem canta é o Tonho Crocco. Sai quando rolava a emblemática canção "Repelente". Vejam algumas fotos!
De falla

De falla
E agora esse vídeo:

A meta agora era o Titãs. Acompanhei disco a disco a banda até o álbum "domingo", a partir dali deu uma brochada monstra  e meio que desencanei. mas agora com esse show especial do Cabeça Dinossauro, deu uma empolgada! Multidão absurda, o som nem chegava direito onde eu tava, mas  certamente, junto com o Suicidal Tendencies foram os grandes shows deste rolê.Olha um vídeo aí do Titãs :

Ainda dei uma conferida no final do show do Killi, lindo ver a Mariana cantando novamente, e do  tempo que cheguei até o fim, mandaram vários hits.
KILLI

Encerrando tudo as 17:00 sobe no palco o Dance Of Days.Puta show, puta vibe, galera insana agitando, e o Nenê Altro carismático como sempre, dando o recado certo pra molecada e pra todo mundo.Um set enxuto e sem firulas, direto ao ponto e a galera cantando TODAS canções juntas.
Veja aqui um trecho do show que peguei no youtube, já que  a minha filmagem ta sem áudio:


 A banda está no auge, e é sensacional sacar que  tá entrosada e sente tesão de tocar, este ano promete um novo álbum, vamos ver. Eu vejo muita gente falando mal da virada, eu vejo pontos positivos e pontos ruins, vejo que ela é usada como  propaganda política inclusive, mas foda-se, vamos usar o sistema  e falar mal dele num evento que ele mesmo realiza hahahhaa. eleições estão aí, FIQUEM ATENTOS IRMÃS E IRMÃOS.
Dance of Days e a fumaça

galera na vibe

Dance of days, só alegria mano!

sábado, 17 de dezembro de 2011

DANCE OF DAYS " ARQUIVOS MORTOS VIVOS" 2011 teenager in a box

DANCE OF DAYS " ARQUIVOS MORTOS VIVOS" 2011 teenager in a box


Fudido já pela capa( do mestre daniel e.t) que dialogicamente faz uma referência cinematográfica ao filme " a volta dos mortos vivos",aos zumbis, e ao  próprio conteúdo do cd, buscando   temas antigos e gravações  esquecidas da banda .Se trata de uma coletânea ou "bootleg" com gravações alternativas e raras  do Dance of Days. São 25 temas , encarte estilo zine, e ainda o "up" da chancela "teenager in a box", selo capitaneado pelo grande e incansável Nenê Altro. Destaque para " a vitória ou coisa que o valha", numa versão mais tosca e mais rock ( na verdade se trata da primeira versão ),  também a até então inédita " um triangulo em palomar" , e a versão em portugues de "astro boy" . Indicado pra fãs da antiga, da nova geração e até pra quem ta afim de conhecer, já pega uma geralzona  na carreira dos caras.