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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Varsóvia: um disco sensacional e a capa de "autoria desconhecida"

Lembro que era uma fita Basf, daquelas pretas com rótulo alaranjado, que imperava na década de 70. Creio que em suas gravações de origem, havia algum disco no “rei” Roberto Carlos, ou alguma trilha internacional de novela global que meu saudoso pai havia gravado. Fato é que a situação da tal fita não era das melhores. Com quase duas décadas de vida e regravada zilhões de vezes, ela ainda teve impressa em seu magnetismo, uma apresentação ao vivo da banda Zero na rádio 89 FM de São Paulo, a famosa Rádio Rock, e no final do lado B uma música que se tornou das mais importantes da minha vida, mas a canção era de outra banda e se chamava Noites. O impacto de tal canção na vida de um pirralho de 5/6 anos, foi imensa.

Flyer da época - fonte: http://www.geocities.ws/EnchantedForest/Palace/9638/varsovia.htm 
Era o Varsóvia, o grupo do ABC paulista que destoava de toda a cena punk local dos anos 80, ao optar em seguir um caminho sonoro mais sombrio, como aquele trilhado pelo seu grande mote inspirador, o Joy Division, que como muitos sabem, se chamou Warsaw ( traduzindo : Varsóvia), no começo da carreira.

Fonte imagem: http://www.geocities.ws/EnchantedForest/Palace/9638/varsovia.htm 
O motivo que me levaria a escrever este post na verdade, era o fato de eu ter comprado há menos de um mês atrás, o vinil, lacrado e zerado, do grupo Varsóvia, na icônica loja Baratos Afins, lá nas Grandes Galerias, no centro histórico de São Paulo.
Até que uma dúvida quase tirou o meu sono ( quase). A história foi mais ou menos assim:  em um dos meus trabalhos como redator, sugeri para um cliente como pauta, algumas capas de discos que dariam estampas legais para camisetas. Essa ideia surgiu principalmente por eu querer fazer uma camiseta do Varsóvia para eu mesmo usar, haja vista que acho a arte da capa muito significativa. 
Capa do LP de 86/87 
Pelo fator tempo e por não ter encontrado a informação primordial para incluir a capa do Varsóvia neste trabalho, acabei deixando-a de fora do “top 10” que entrou no artigo. Tentei alguns contatos, até que um deles me indicou o baterista da banda, via Facebook. O Sr. Dario Brait.
A informação que eu buscava era básica, simples, e (até então) desconhecida: quem era o artista por trás da capa deste vinil - que eu finalmente, após anos e anos, ouvindo aquela música no final de uma fita k7 “podre”, e posteriormente um CD de 97 com material produzido pela banda entre 85 e 89- ?
Scaneei essa foto  que está inserida na parte inferior do estojo do CD 1985/1989
E foi o próprio Dario que me respondeu:
Caro Perossi, obrigado pela lembrança.
A arte original da capa do "LP" é um trabalho do artista plástico João Batista, na época (1986) também professor da Escola Panamericana.  Foi inspirada num fragmento de um trabalho mais extenso realizado por ele.  Usamos o fragmento original na capa do CD lançado em 1997. Abraço.
Esmiuçando alguns textos na internet, eu percebi que “vacilei”, pois na história da banda, escrita pelo vocalista Fábio (http://nocturnalbh.tripod.com/musica/nacionais/Varsovia.htm), ele cita o João Batista como autor da capa do vinil. Na pressa, deixei passar.  No encarte do CD também consta tal informação, porém, eu não conseguia encontra-lo em meio as bagunças. Mea culpa.
contra-capa do vinil 
Sobre o álbum, Varsóvia foi gravado em 1986, têm 10 faixas, e só foi lançado em 1987 via o selo independente Ataque Frontal, com a produção de Redson (Cólera). A demora no lançamento foi decorrente de uma crise no setor de papel na época, acredite se quiser!
Não consigo citar só um ou outro destaque, todas as canções deste Long Play merecem destaque, seja pela atmosfera “dark” e “obscura”, seja pela estética poética das letras, e até mesmo pela sonoridade post-punk, que muito embora dialogue com as bandas desta escola, têm seus próprios e merecidos méritos.
A capa do CD

A canção mais famosa, "Noites", de autoria de Roberto Stelzer, ganhou uma versão recentemente na voz de Tatola Godas (Não Religião/ 89 FM ), com o projeto/banda "Nem Liminha Ouviu".

Se você é um pouco mais jovem que eu e pira em Interpol, por exemplo, vale a pena dar uma sacada no trabalho do Varsóvia e entender que há muito tempo atrás, já havia bandas com esta sonoridade aqui no país.
E enquanto alguns dizem que o rock está morto, e outros se dizem os salvadores do mesmo, a singela canção do Varsóvia diz uma das maiores verdades que você ouvirá em toda sua vida:
“Não adianta acreditar em heróis, é tão vulgar...”.
Imagens extraídas do encarte do CD
Há indícios de que a banda irá lançar novo material. Recentemente eles se reuniram e fizeram shows. Confira no documentário a seguir. Me despeço aqui ouvindo a primeira faixa do lado A deste incrível disco, a canção Para Todo o Sempre. Paz e café. 


Ps: Gracias ao Renne Santos pela indicação e contato do Dario Brait =)
Ps2: Acabei de encontrar 2 sons "novos" ( ao menos nos últimos 2 anos) no SoundCloud da banda. Algo como um single. As faixas são "Lucidez" e "1985".

Texto por Luís Perossi. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Demos, cds,vinis e reviews


Sempre recebo, compro e ganho bastante coisa legal em termos de discos, cds, mp3 e tudo mais. Confira o que de mais legal caiu na minha mão nos últimos tempos.

Beach Lizards “Spinal Chords”


Este CD é um relançamento de 96, com mais 14 faixas bônus extraídas de demo-tapes e afins. Pra quem não conhece, o Beach Lizards era (é) do Rio e fazia (faz?) um som mezzo surf, mezzo punk, mezzo skate, e por aí vai. Na capa a referência ao selo é ao curitibano Barulho Records, no entanto, li no encarte que se tratava de um relançamento via Thirteen records. Seja lá quem lançou, vale a pena pra sacar a circa noventa e pouco tupinikin.

Desgraça Sonora #1 – V/A

Coletânea produzida pelo extinto selo teenager in a box, não tenho certeza mas creio que tenha sido um dos últimos, senão, o último lançamento deles. O som da desgraça ecoa dos falantes com 20 bandas intensas e barulhentas, entre elas os veteranos do Armagedom,o rapcore do Artigo DZ9, os punks do Atos de Vingança , além do clássico Tijolo Seis Furos lá do sul e o Reiketsu que marca presença com um puta som chamado “Pressão”. O CD ainda tem as bandas Vou Cuspir No Seu Túmulo, Post Atomic Dogs, Leprose, Slag, Pode Pá, Nosso Ódio Irá Atacar, Visão Vermelha, Obliteração, Macgyver The Animal, Porcria, Entendeu?, Sistema de Mentiras, Sujeito a Lixo, Thrash Hungry Punx, e E.R.R.O.

Chaoz Day vol 2- V/A

Lançamento mais antigo, de 2009, veio pra mim se não me falha a memória, em algum sorteio de Facebook e afins. Produça da Casa Punk Records e é uma das coletâneas que mais curto pois além de trazer o RawPunk do grande Luta Armada, ainda têm uma das bandas que eu mais amo no país, o Deserdados!

 No cast temos ainda o Estado de Guerra,Ódio Brutal, Colisão Social, Geração Ofensiva, Cirrose Cerebral, Ódio Social, Taquicardia e Plebeus Urbanos. Altamente recomendado pelo zine e por mim e mantendo a chama punk acesa, de fato!

UV Mobile – Último Volume- V/A

Outra coleta, desta vez recebi como antigamente, via correio, do blog Disco Furado. Lembrei na hora daquele lance anos 90 de fitas cassetes chegando direto pra serem resenhadas no zine impresso. Se trata de uma compilação da rádio Lumen, com várias bandas da cena indie, eletrônica, onde eu destaco entre os 17 grupos, o rap bacana do Cabes MC e o rockinho moderno do Audac com a canção Real Painkiller. 

 Ótima iniciativa da rádio. Para quem não sabe, UV Mobile é um quadro do programa Último Volume que vai ao ar desde 1997. Acompanhe a rádio e o trampo dos caras : ultimovolumeradioshow.blogspot.com.br

Jerseys – EP – 2013

Formado por Phernandu - Vocal and Guitar, Japa - Bass and Backing Vocals ,Flávio - Guitar e Tim - Drums and Drinks, o quarteto santista faz seu debut num EP que transpira energia e pegada rock mesclando punk rock e vocais pique Social Distortion, Hot Water Music e Alkaline Trio. Alguns momentos mais punk/hc como em Punk rock Song/hate hate hate, e feeling total em Word and Honor. Muito legal e você pode conferir tudo na faixa via bandcamp http://jerseys.bandcamp.com/.


Chaoz Day 2013- vivemos o punk e é isso que somos!- V/A- CD duplo

FU-DI-DO! Assim eu defino esta coletânea que sem dúvida, está entre as mais bem produzidas e de mais atitude que já vi naquilo que convencionamos a chamar de “cena”. Acho que a palavra cena aliás, encontra neste projeto a melhor acepção que o termo poderia encontrar. 20 bandas distribuídas democraticamente em 2 CD’s com 2 sons cada. E tudo na mesma qualidade (ótima) e energia. Algumas diferenças musicais, até de ideias, mas que somam durante a coleta e fazem com que este CD soe como algo carregado de honestidade, verdade, raiva, ódio, amor, energia e som porrada na orelha.

No cast, as seguintes bandas:
 CD 01 - Luta Armada (SP) , Maldita Ambição (Litoral SP) , The Bloodclots (U$A) , Pós - Guerra (SP) , Resto De Lixo (Arujá) , Mollotov Attack (ABC) , Sarjeta (SP) , Atos de Vingança (SP) , Antagônicos (Franco da Rocha) , Doosday (Colômbia).
CD 02 -Calibre 12 (SP), Confronte Stage (Ukraine) , Síndrome Letal (DF) , The Squintz (DF) , Open Beer (Francisco Morato) , Vozes Incômodas (SP) , Para Raio Da Desgraça (RS) , Guerra Urbana (PE) , Escöria (RS) , Sub Existência (SP). Estados unidos, Brasil, Colômbia e Ucrânia compõem a coleta que me remete aos melhores momentos ou ao menos, os mais marcantes do Punk, como a coletânea SUB, Ataque Sonoro e Grito Suburbano.
Coube ao trio Rawpunk Luta Armada, abrir o play de maneira ímpar. Cantando em inglês, os sons Still Punx & Still Poor e S.U.S arregaçam, sem mais. Gostei muito do Bloodclots dos EUA, sempre bacana conhecer bandas de outros lugares e esta eu de fato, nunca havia escutado. O Mollotov Attack é outra banda que marca presença, esta já tive o prazer de ver ao vivo aliás. E o que dizer do Atos de Vingança, cada vez se superando mais e fazendo um som mais treta a cada nova gravação? Banana Mecânica, segunda faixa da banda na coletânea, já aparece com ares de clássico do underground.
Antagônicos é outra que não conhecia e gostei muito, assim como todas as bandas do projeto, sem exceção. Como é foda comentar banda por banda e acho que muito melhor do que ficar aqui tecendo comentários, é ouvir a parada, apenas vale a menção de que o grande Sub Existência fecha o CD com “Fogo Cruzado” e “Sob condicional”, faixas presentes no recente CD da banda que já saiu até aqui no zine. Garanta o seu, vale a pena fortalecer e somar com estes guerreiros da música Do It Yourself.

SxPxSxC – Subversão ao podre sistema capitalista

Banda punk/hc da zona oeste de SP, na ativa desde 2000. Quem jogou na minha mão este cd/demo foi o Favela, que toca bateria no SxPxSxC e também do Deserdados. São 6 sons bem gravados, rápidos e sem delongas, no espírito foda o sistema.

Doppelgangers- This shit is not for Pablo- Ep/demo

Usar o que se têm de recursos pra fazer algo bacana, por mais simples que seja. Este foi o primeiro pensamento que me veio quando peguei na mão o cdzinho dos Doppelgangers. Sem firula, sem frescura, direto ao ponto: encarte com as letras, dobradinho e fazendo as vezes de capinha, e ainda um tipo de pôster bem simpático dentro. 

E o CD é legal, mas talvez não agrade quem não está acostumado com propostas de bandas como Joan of Arc ou os mestres Kinsellas Cap n” Jazz. Tá que é “chover no molhado” (a expressão mais clichê da face da terra), mas não dá pra dizer que os caras não buscaram ali na fonte Kinsellana. Ouça e tire suas conclusões. Eu já sou suspeito pra falar, virei fã e o show que eles fizeram no lançamento da coletânea Meus Amigos Bebem Muito Café foi muito foda.
discoseafins.tumblr.com

Shimbaus Trio- Passeio a dois

Taí um disco que eu nunca consigo parar de ouvir. É feito um conto de Clarice ou um Romance do Kafka, daqueles que você pega e não consegue parar. Mais ainda, dá sempre vontade de retomar a leitura, ops, audição. 
shimbaus no evento mais cafeinado do ano

  Pegada indie rock, letras que dialogam com texturas, locais, pessoas, transportando os contextos como mudanças de estações. Destaque para “Maca do amor”, canção que talvez sintetize este trabalho tão especial que caiu em minhas mãos.

Rompendo fronteiras- Compilação Libertária- 6 way Split- cdr

O Rogério Art till Death que me deu este CD pesadão com as bandas Espanto, Plebeus Urbanos, Narcose, Recus@rmada, Psicultura e Vítimas do Ódio. Cada banda com 4 sons que trilham do punk ao hardcore toscão e insano. Em “Morte no INSS”, o Narcose investe numa pegada mais “rapeada”, dentro do HC característico. Vale a pena dar uma sacada neste play, ótima iniciativa da Plebe Records, Grito de revolta distro e Extreme Noise Discos.

Ódio Social – 7”

Lançado pela HARDCAOS, o vinilzinho do Ódio Social transpira o puro ódio que faz justiça ao nome da banda em 5 singelas canções para te dar mais força (munição) no dia-a-dia. ‘Traços de um povo”, “Morrer de trabalhar”, “Calamidade” e “Som da alienação” mais “Avtomat Kalashnikova” compões a bolachinha. Saiu também uma versão em K7, corra atrás porque deve estar no final.